Hospitais de SP fazem estudo sobre acidentes de consumo

Três dos principais hospitais de referência de São Paulo, o Hospital das Clínicas, o Hospital São Paulo e o Hospital Universitário da USP, iniciaram um estudo inédito no País para mapear a incidência e as causas das ocorrências clínicas que vão desde casos individuais de lesão, como cortes, até outros mais graves e coletivos que podem levar inclusive à morte. Desde o início do mês, 14 pesquisadores estão coletando dados de casos registrados junto a hospitais.Com o estudo, será possível, também, identificar o perfil das vítimas de acidentes de consumo por faixa etária, classe social e sexo. Os primeiros resultados concretos serão divulgados em três meses, de acordo com a Pro Teste - Associação Brasileira de Defesa do Consumidor e a Associação Médica Brasileira (AMB), responsáveis pelo projeto "Acidentes de Consumo".Na primeira semana de coleta de dados, por exemplo, foram contabilizados cerca de 100 casos e as maiores incidências foram por intoxicação alimentar, principalmente em bares e restaurantes, e ferimentos ou perfurações provocados por produtos. O resultado do estudo será encaminhado às autoridades municipal e estadual. A idéia não é só prevenir e reduzir esse tipo de acidentes, mas criar normas e mecanismos de aperfeiçoamento para garantir a segurança do consumidor. Nos Estados Unidos, o sistema público de saúde gasta US$ 300 milhões por ano atendendo esse tipo de vítimas. Segundo a Consumer Product Safety Commission (CPSC), cerca de 4,3 mil pessoas morrem e mais de 14 milhões ficam feridas anualmente por causa dos acidentes de consumo naquele país. No Brasil não existem estatísticas sobre esse tipo de acidentes, que, de acordo com a Pro Teste, geram custos significativos para a rede pública que poderiam ser evitados se houvesse políticas públicas de caráter preventivo."Em boa parte dos casos, uma atitude preventiva poderá evitar que a população sofra prejuízos à saúde. Ao mesmo tempo, possibilitará a diminuição de vítimas desse tipo de acidente em hospitais, o que permitirá mais tempo e investimentos para o atendimento de outras políticas públicas de saúde", afirma Associação Médica Brasileira.

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