Hospitais "5 estrelas" estariam perto do limite

Desequilíbrios na conta da saúde já chegaram também aos hospitais privados, lucrativos "cinco estrelas". Eles ainda não estão endividados, mas perto do limite que permite fechar as contas e manter a atualização tecnológica dos serviços que prestam."Melhoramos a gestão para tirar o máximo proveito dos recursos que temos, mas estamos perto de começar a perder capacidade de atualização tecnológica", afirma Reynaldo Brandt, presidente da Associação Nacional de Hospitais Privados, que congrega 26 dos melhores do setor, como Albert Einstein e Sírio Libanês.Em torno de 90% do atendimento dos hospitais lucrativos do eixo São Paulo-Rio é prestado a beneficiários de planos de saúde. Isso significa que o hospital recebe da operadora, não do paciente. Os hospitais reclamam que os valores pagos pelas operadoras são insuficientes para cobrir o que gastam.Quem está do lado das operadoras admite que a reclamação tem fundamento, mas também aponta uma perversidade na relação com os hospitais. O que o hospital deixa de ganhar nos serviços que presta tenta recuperar sobretaxando materiais e medicamentos."A diária de internação e os honorários médicos têm valores fixos para cada operadora e hospital", explica Marco Aurélio de Campos, diretor-presidente da Interclínicas. "Mas materiais e medicamentos não têm." É aí que os hospitais tentam equilibrar suas contas.Brandt reconhece que a prática é aplicada no setor. Ele e Campos são unânimes no diagnóstico do problema: os hospitais cobram mais onde não devem e são mal remunerados onde teriam de receber mais.A Associação Brasileira de Medicina de Grupo e a Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados e Capitalização, representantes do setor de planos de saúde, defendem a negociação livre entre as partes envolvidas.

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