Hosmany faz teleconferência da cadeia

Preso há mais de 20 anos, o médico Hosmany Ramos não conseguiu autorização judicial para comparecer à Bienal do Livro do Rio de Janeiro, onde estará lançando seu livro ? Pavilhão 9 - Paixão e Morte no Carandiru? - destaque na à mostra, mesmo sob escolta policial, como era a idéia original da sua editora, a Geração. Mas a editoria insistiu na idéia de colocá-lo frente a frente com seus leitores e vai colocá-lo no evento via satélite, em uma teleconferência que acontecerá na próxima quarta-feira, dia 23, das 14h às 15h, no auditório José Lins do Rego. O juiz-corregedor da Comarca de Araraquara, Silvio Moura Salles, indeferiu o pedido da editora para o médico comparecer sob escolta, com o argumento de que, embora na Lei de Execução Penal conste a saída de condenados para atividades fora do presídio, autografar livros em um evento cultural não estaria entre estas atividades. Hosmany aceitaria ir mesmo algemado.Para realizar a teleconferência, a editora está montando uma verdadeira parafernália, que deverá contar com a ajuda do diretor do presídio, Jorge Bento. Um caminhão com uma emissora de microondas se deslocará até Araraquara e instalará um link dentro do presídio, gerando a imagem de Hosmany para um satélite, de onde ela será rebatida para um auditório no Riocentro, onde ocorre a X Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro.O livro é um relato sobre o Massacre do Carandiru, que Hosmany ouviu de um dos poucos sobrevivente e transformou em uma literatura que busca o realismo. O médico, condenado a 56 anos de cadeia, foi um cirurgião plástico de renome, assistente de Ivo Pitanguy, nos anos 70. Como um dos mais famosos criminosos do país, foi condenado a 20 anos de prisão, em 1981, por homicídio, roubo de avião, carros e jóias, contrabando e seqüestro. Fugiu da prisão e sua condenação aumentou.

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