Homenagem a Alencar reúne Dilma e Lula em São Paulo

Em cerimônia que reuniu partidos adversários, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), entregou hoje a Medalha 25 de Janeiro ao ex-vice-presidente José Alencar. O evento foi o primeiro encontro público da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a posse. Debilitado, Alencar chegou de cadeira de rodas acompanhado por uma equipe de médicos. O ex-vice-presidente, emocionado, admitiu que chorou ao saber que Dilma e Lula estariam juntos na homenagem. "Eles vieram e eu achava que não poderia deixar de vir", disse Alencar.

DAIENE CARDOSO E FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, Agência Estado

25 de janeiro de 2011 | 13h45

Diante de parentes e políticos de diversos partidos, o ex-vice-presidente discursou sentado e disse que não está totalmente recuperado, mas que "está bem melhor". "São 90 dias de internação, exceto dois dias em Brasília e um dia no meu apartamento, em São Paulo", justificou, ao lembrar que, durante o tratamento contra o câncer, teve enfarte, edema pulmonar e até hemorragias. Alencar agradeceu o carinho de Kassab e do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). "Para mim, (a homenagem) é uma honra muito grande", afirmou.

Bem-humorado, o ex-vice-presidente brincou com os convidados. "Os discursos devem ser como vestido de mulher. Não devem ser nem tão curtos que nos escandalizem, nem tão longos que nos entristeçam." Alencar destacou que, mesmo com as dificuldades, o tratamento evolui. "Se eu morrer agora, é um privilégio para mim porque a situação está tão boa que não tem como melhorar, está todo mundo orando por mim. Seja qual for o resultado, será uma vitória nossa."

Durante o discurso de 9 minutos e 40 segundos, Alencar dispensou o texto que havia preparado, por preferir "falar com o coração". De improviso, ele contou que, fora da Vice-Presidência, já não anda com os tradicionais batedores da segurança e que, por isso, tem observado a cidade e seus carros luxuosos, o que, na opinião dele, é uma prova de que o País vai bem. "Me perdoe. Eu fiz parte desse governo, mas o Brasil vai bem graças à dedicação extraordinária do presidente Lula", disse, diante de uma plateia que tinha tucanos e democratas entre convidados.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.