Homem é internado com variante da "doença da vaca louca"

Um exame confirmou hoje que um paciente internado na Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora (MG) tem a doença conhecida como Creutzfeldt-Jakob, considerada uma variante da encefalopatia espongiforme bovina (EEB), a "doença da vaca louca". O neurologista Moisés Pereira Pinto, que trata o paciente, disse que ele não ficou doente ao ingerir carne contaminada.Segundo o médico, o paciente desenvolveu a forma variante da doença, extremamente rara, que acomete uma pessoa em um milhão. O resultado do exame feito no material de biópsia cerebral enviado à Universidade Federal de São Paulo confirmou as suspeitas da equipe do hospital, que não revelou a identidade do paciente a pedido da família.Morador de Mogi das Cruzes (SP), o metalúrgico aposentado L.C.F., de 57 anos, chegou à Santa Casa no dia 30 de maio com quadro de demência aguda e dificuldades de fala e de locomoção, sintomas típicos da doença.Em Juiz de Fora, não há registro de outros casos. Como o metalúrgico não teve contato com bovinos e não tinha o hábito de ingerir vísceras animais, nem mesmo na infância, foi descartada a contaminação por ingestão de carne de animal contaminado com o "mal da vaca louca".O contágio por material biológico ou através de produtos com extrato de cérebro de boi contaminado é apenas uma das formas de desenvolver a doença Creutzfeldt-Jakob. De acordo com o médico, a doença pode ter causa esporádica, quando não se sabe exatamente a forma de contágio, ou mesmo vir de uma herança genética. De acordo com o médico, 85% dos casos são da forma esporádica, como é o do paciente, que pode ter se contaminado há décadas.O hospital adotou medidas de segurança mesmo sem haver perigo de a doença se espalhar. Para contrair o mal, é necessário ter contato com o cérebro ou líquido cerebral contaminado. "Não existe registro de contaminação por doação de sangue ou contato humano", observou Moisés Pereira Pinto.Não há tratamento específico para a doença e o paciente permanece internado em estado grave.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.