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Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Homem da mala de Cabral delata ex-governador

Operador Carlos Miranda disse que a pessoa referida como “Cabra Macho” na tabela de contabilidade das propinas era Sérgio Cabral

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2017 | 16h49

RIO - Interrogado na 7ª Vara Federal Criminal nesta quinta-feira, 7, como delator, o principal operador do suposto esquema de corrupção chefiado pelo ex-governador do Rio Sérgio Cabral Filho (PMDB), Carlos Miranda, confirmou que empresas contratadas pelo Estado pagavam 5% por contrato à organização criminosa do peemedebista. Ele também confirmou a afirmação do empresário Fernando Cavendish, da Delta Construções, de que abateu o valor de um anel comprado para a ex-primeira dama do Estado, Adriana Ancelmo - cerca de R$ 800 mil - de propina repassada a Cabral.

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“Fernando Cavendish me informou que tinha esse gasto para ser descontado desta propina e eu fiz a contabilidade desse valor”, disse o novo delator ao juiz Marcelo Bretas. Miranda fechou delação com o Ministério Público Federal (MPF), homologada pelo Supremo Tribunal Federa (STF). A informação foi divulgada pela defesa do próprio delator durante o depoimento.

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O operador também explicou o papel de cada um dos integrantes do esquema. Ele disse que Luiz Bezerra atuava como seu funcionário e passou a fazer o recolhimento de dinheiro vivo, de acordo com suas ordens, depois que seu nome apareceu na operação Castelo de Areia, em 2010. A orientação teria partido do próprio Cabral.

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“Bezerra trabalhava para mim, recolhia o dinheiro vivo e fazia os pagamentos que eu determinava que ele fizesse. Em 2010, com a operação Castelo de Areia, saiu meu nome e, por orientação do Sérgio, ele me pediu para que eu evitasse ir até as empresas para trazer o dinheiro. Foi quando o Bezerra começou a trabalhar comigo, fazendo esse trabalho”, disse.

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Miranda acrescentou que a pessoa referida como “Cabra Macho” na tabela de contabilidade das propinas era Sérgio Cabral. Além disso, que empresas também fizeram contribuições visando interesses em alguma legislação estadual. O operador também afirmou que o então secretário da Casa Civil de Cabral, Regis Fichtner, recebia propinas em parcelas de R$ 50 e R$150 mil.

Miranda tem laços fortes com o ex-governador. Ele já foi assessor parlamentar de Cabral, sócio em uma empresa ligada à sua família e casou-se com uma prima em primeiro grau do ex-governador. Segundo apontou o MPF, depoimentos apontaram Miranda como a pessoa a quem Sérgio Cabral confiou a coleta e transporte dos valores de propina exigidos das empreiteiras”, aponta o Ministério Público Federal.

Outro lado. O Estado ainda não conseguiu ouvir as defesas de Cabral, Régis Fichtner e Luiz Bezerra. O ex-governador já negou em ocasiões anteriores ter recebido 5% sobre os contratos; afirmou que o anel foi um presente de Cavendish e foi devolvido em 2012; e afirmou que o apelido “Cabra Macho” não era dele. Fichtner negou, ao ser interrogado, ter recebido ddinheiro do esquema. 

 

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