Homem atira moedas nos membros da CPI dos Ônibus

Grupo de 16 pessoas ergueu cartazes que diziam 'essa CPI é uma farsa' e pendurou baratas de papelão

CLARICE CUDISCHEVITCH, Agência Estado

05 de setembro de 2013 | 21h01

Com uma semana de atraso por causa de uma suspensão temporária da Justiça, a segunda audiência pública da CPI dos Ônibus no Rio foi marcada por interrupções e protestos de manifestantes, que chegaram a atirar moedas nos vereadores.

O grupo de 16 pessoas, mais reduzido do que na primeira reunião, em 22 de agosto, ergueu cartazes que diziam "essa CPI é uma farsa", pendurou baratas de papelão na grade de proteção da galeria e cortou as falas dos vereadores e convidados com gritos, aplausos e gargalhadas irônicas.

Agora, a comissão é composta apenas por membros que não assinaram o seu requerimento. Com a decisão do vereador Eliomar Coelho (PSOL) de não participar da CPI, por não concordar com a sua composição, e a negação do cargo pelo primeiro suplente Reimont (PT), que não indicou nenhum outro vereador do seu partido, quem assumiu o posto foi o segundo suplente, Marcelo Queiroz (PP).

A reunião de ontem teve como convidados o procurador-geral do Município, Fernando Dionísio, o advogado do consórcio Santa Cruz, que atua na zona oeste do Rio, Maximino Gonçalves Neto, e o presidente da Rio Ônibus, que reúne os quatro consórcios da cidade, Lélis Marcos Teixeira. Questionado sobre os indícios de formação de cartel pelas empresas que controlam o sistema de ônibus, como o uso dos mesmos advogados e bancos pelas companhias, Dionísio disse: "O Tribunal de Contas do Município investigou os processos de licitação e contratação e constatou que foi tudo feito dentro da lei, apesar das coincidências". Já o presidente da Rio Ônibus afirmou que as empresas procuram juntas o mesmo banco para reduzir os custos.

Lélis Marcos Teixeira e o representante do consórcio Santa Cruz divergiram quanto à participação das empresas no processo de licitação. Gonçalves Neto disse que as empresas concorreram individualmente e depois se reuniram em consórcios. Já o presidente da Rio Ônibus disse que elas formaram os consórcios antes do processo. "Houve, de fato, uma contradição", declarou o relator da CPI, Prof. Uóston (PMDB).

Pela primeira vez, o nome do empresário Jacob Barata, conhecido como "rei dos ônibus", foi mencionado nas reuniões da CPI. Diante da pergunta sobre se Barata controla o sistema de coletivos no Rio, Teixeira respondeu: "Não. A participação dele nas empresas é de 4,6% e da família, de 11,28%."

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