Hoje, não estou bem, a situação está mal, admite Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu hoje a dimensão da crise que o governo enfrenta com as novas denúncias contra o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. "Hoje, não estou bem, a situação está mal. Mas eu acredito em Deus, sou brasileiro e lutador", afirmou o presidente a uma platéia de petistas que foi ao canteiro de obras do metrô de Salvador, que ele visitou.Ele classificou de "baixo nível" as denúncias contra o ministro Palocci e disse estar disposto a entrar na briga para defender o governo. "Um presidente da República não pode responder a todas as ofensas e ataques. Mas quem me conhece sabe que eu gosto de uma briga, adoro uma briga", afirmou Lula. "Agora, sou presidente e não posso responder a caca baixo nível que fazem contra mim".Ele reafirmou que seu governo fez mais pelo social do que governos dos últimos 100 anos. "Podem fazer as políticas que quiserem. No campo da política, sou democrático. Mas não me peçam destratar o pobre como cidadão", afirmou.Saia justaTendo a seu lado o governador da Bahia, Paulo Souto (PFL), a quem elogiou em seu pronunciamento, Lula disse que há muitos políticos que vivem falando mal dos outros. Nesse momento, populares simpatizantes do presidente apontaram o dedo para o governador, deixando Lula constrangido. O presidente disse, então, que Souto é um exemplo de político civilizado e que, como em outras áreas, é preciso conviver com pessoas de idéias diferentes. Antes, o presidente fez uma série de ataques indiretos ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e a outros ex-presidentes. Disse que, de 1990 a 2002, a economia do País cresceu de forma muito frágil e o nível de desemprego foi alto. Ressaltou que, em seu governo, conseguiu criar 4 milhões de empregos com carteira assinada nos últimos 3 anos e que os críticos têm pensamento "destrutivo"."Os que estão me atacando hoje atacaram JK. Eu duvido, por exemplo, que alguém tratou melhor o sem-terra como eu tratei", afirmou. Um dos integrantes da comitiva do presidente era o deputado Josias Gomes (PT-BA), um dos envolvidos no chamado esquema do mensalão contra quem corre processo no Conselho de Ética da Câmara.

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