Hoje há mais chance de vitória para Serra, afirma consultora

As mais recentes pesquisas de intenção de voto não indicam uma possibilidade de virada na corrida à Prefeitura de São Paulo, mas há fatores que ainda têm potencial para causar uma reversão no quadro, a menos de três semanas do pleito, afirma a consultora do Grupo Estado para análises eleitorais, Fátima Pacheco Jordão. "A consolidação não indica uma virada, mas eu insisto que o quadro pode ser alterado", avalia, "porque há ainda os debates e o reinício do horário eleitoral em cadeia de rádio e televisão". Segundo ela, "cronologicamente, o tempo é curto para a candidata do PT, Marta Suplicy, mas ainda existe alguma chance para ela, porque, do ponto de vista de TV, os candidatos têm dez minutos diariamente, o que permite todo um desdobramento de argumentos", diz. Segundo Fátima, a única via possível para a prefeita virar o jogo é aproveitar o crescimento de sua própria avaliação positiva e da do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e transformar esta variável em propostas consistentes e reais para a cidade, contrapondo-se ao discurso do PSDB. Hoje, explicou ela, há mais chance de vitória para o candidato tucano, José Serra, devido a dois fatores em especial: apenas 10% dos eleitores exibem disposição para mudar o voto, sendo que, no primeiro turno, este número variava de 20% a 25%. Além disso, o eleitor encara Serra como o favorito na disputa. Apesar de os indecisos somarem apenas 6% e os brancos, 4%, a consultora destaca que o horário eleitoral terá um peso importante na definição das intenções de voto. "O trajeto a se percorrer é muito acidentado para se apostar em um voto férreo e sem mudança."Em relação à influência que os apoios devem ter neste segundo turno, Fátima destaca que este fator deve ser relegado a segundo plano pelo eleitorado. "Nada disso deve contar muito, como já não contou no primeiro turno. O que se tem em foco são os problemas da cidade", avalia, lembrando que o apoio do ex-prefeito Paulo Maluf (PP) a Marta tem um efeito secundário neste momento, porque a grande maioria do eleitorado malufista já declarou voto a Serra. Por isso, a consultora acredita que terá impacto prejudicial praticamente nulo ao PT o fato de estar recebendo apoio de Maluf neste momento em que ele foi indiciado. Ainda com base nesta premissa de que os apoios contarão pouco, Fátima também considera que a estratégia petista de utilizar a figura da primeira-dama, Marisa Letícia, na campanha de Marta quase não deve render benefícios à prefeita. "A eficácia é mínima. Durante a campanha de Lula, ela foi muito presente, mas agora a sua presença é neutra. A meu ver, esta é uma estratégia oportunista de usar todos os recursos possíveis e impossíveis para tentar reverter um quadro desfavorável", acredita.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.