'Hoje falam mal de mim e da Dilma', diz Lula sobre a imprensa

Ex-presidente repetiu crítica que fez no Brasil agora ao lado de Cristina Kirchner, em visita à Argentina

Ariel Palacios, correspondente de O Estado de S. Paulo

16 de maio de 2013 | 21h57

Texto atualizado às 23h02

BUENOS AIRES - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a atacar nesta quinta-feira, 16, a imprensa brasileira - e, também, a da Argentina - durante a inauguração da Universidade Metropolitana da Educação e Trabalho (Umet) em Buenos Aires. Repetiu a frase dita dois dias antes, no Brasil - "Às vezes tenho a impressão de que a imprensa está exilada dentro de meu país" - e acrescentou:"Quando nós os criticamos, eles a imprensa brasileira) dizem que estão sendo atacados. E quando nos atacam, falam em democracia!"

Ao seu lado na cerimônia, a presidente Cristina Kirchner fez discurso semelhante contra a imprensa não governista de seu país - especialmente o Grupo Clarín -, dizendo que seria preciso inventar um "botão antibobo", para que "as pessoas deixem de acreditar nas bobeiras que eles (a imprensa) dizem".

Junto dos dois, ministros do governo, políticos e sindicalistas participaram dos aplausos, ao som de "olê, olê, olê olá... Lula... Lula..."

Em sua fala, o ex-presidente brasileiro afirmou que "os setores conservadores não entenderam o que aconteceu no Brasil na última década e na Argentina nos anos 40 e 50 (o período governador por Juan Domingo Perón) e agora". Foi então que afirmou: "Pensei que, quando deixei o governo, parariam de falar mal de mim. Mas, hoje, falam mal de mim e da Dilma! Às vezes tenho a impressão de que a imprensa está exilada dentro de meu país.

Lula presenteou Cristina com o livro Lula e Dilma. Depois, em tom de alerta à presidente argentina, advertiu: "Não deixe que seus adversários escrevam a História daquilo que vocês fizeram pela Argentina".

Entre aplausos enfáticos da plateia e da presidente Cristina, Lula afirmou: "Ampliar direitos outorga legitimidade a qualquer governo democrático. Por isso, que venham todos os canais de TV, todos os jornais, quem quiser! Não poderão negar o apoio que o governo tem!"

Falando depois dele, Cristina manifestou o mesmo entusiasmo: "Poderão (os meios de comunicação críticos) escrever 25 mil frases (sobre o governo Kirchner) mas não poderão apagar a vivência de cada argentino". E destacou a construção de milhares de escolas em sua gestão e a fundação de novas universidades.

Aplaudida por Lula, a presidente argentina também sustentou que o ex-presidente brasileiro, junto com seu marido Néstor Kirchner e o venezuelano Hugo Chávez foram fundamentais para a integração sul-americana. E, colocando a mão no peito, falando de si própria e de Lula, afirmou: "Tenho a certeza que nós temos um lugarzinho na memória e no coração de nossos povos".

Sete doutorados. Nesta sexta, Lula será homenageado no Senado argentino, onde receberá sete títulos de doutor honoris causa - das universidades de Córdoba, Lanús, Três de Febrero, San Martín, Cuyo, La Plata e a Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (Flacso).

O motivo da entrega do "pacote" de títulos é que Lula acumulava vários doutorados concedidos desde 2003 e que não recebeu por falta de oportunidade.

Em encontro com o governador de Mendoza, Francisco Pérez, Lula discutiu o problema do investimento que a Vale do Rio Doce suspendeu nessa província, o "Potássio Rio Colorado", e ouviu sobre o projeto do trem transandino, que liga a Argentina ao Chile. O governador sonha com a transformação dessa ferrovia em ligação entre São Paulo e o Oceano Pacífico.

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