''Hoje estamos juntos'', diz Gabeira, no Clube Militar

No encontro, ex-guerrilheiro e candidato se refere a brigadeiros como ?companheiros? e diz que ele e oficiais estão preocupados em melhorar RIo

Wilson Tosta, O Estadao de S.Paulo

21 de outubro de 2008 | 00h00

Sob o olhar severo de retratos do Duque de Caxias, patrono do Exército, e do general Emílio Médici, sob cujo governo foi preso e torturado, o ex-guerrilheiro e candidato a prefeito do Rio Fernando Gabeira (PV) se encontrou ontem com a diretoria do Clube Militar para, segundo disse, fazer uma "exposição sobre a cidade". A conversa, de cerca de meia hora, foi encerrada por entrevistas marcadas por sorrisos, elogios mútuos e até um "muito obrigado pela hospitalidade" dirigido pelo candidato ao presidente da entidade, general (da reserva) Gilberto Figueiredo. Recentemente, o clube foi palco de manifestações de militares contra tentativas de reabrir investigações sobre torturadores."Em primeiro lugar, foi uma lembrança das nossas relações positivas, que temos tido como deputado com o Exército e a Aeronáutica", disse o parlamentar que, em 1969, participou, como integrante da Dissidência da Guanabara (depois, Movimento Revolucionário 8 de Outubro - MR-8) do seqüestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick. "Alguns brigadeiros também vieram, são companheiros de trabalho nosso lá em Brasília. E também uma exposição que fizemos, um agradecimento pelo que o Exército tem feito em relação ao nosso desenvolvimento." Segundo Gabeira, no encontro (que teve oficiais da reserva do Exército e da Aeronáutica), foi mencionado o fato de ele e os militares terem estado em lados opostos no período da Guerra Fria. "Fomos muito influenciados pelo período da Guerra Fria, mas que hoje estamos juntos", afirmou. "Eles, que vivem aqui no Rio de Janeiro, como eu, estão preocupados também em melhorar a cidade. São extremamente úteis nesse processo. E, com o Exército também, como instituição, vamos manter as melhores relações, porque acredito que nossa cooperação é a chave de mudarmos algumas coisas." Gabeira disse que o encontro foi uma "visita de cortesia, que tem caráter mais simbólico de aproximação" e afirmou que a Guerra Fria "ficou lá no século passado, embora algumas pessoas ainda tentem revolver esse processo". "Acho que o Exército brasileiro hoje é muito diferente", declarou. "O Exército hoje coopera com o País em vários pontos. Se não tivéssemos o Exército na Amazônia, teríamos mais problemas do que os que já temos. A presença do Exército nas fronteiras é fundamental. Eu acho que o Exército amadureceu democraticamente. E hoje vivemos relação muito mais produtiva e muito mais harmônica que no passado." O presidente do clube, general Gilberto Figueiredo, afirmou que o encontro foi pedido pela assessoria do candidato e não teve caráter de apoio. Ele afirmou que pretendia informar ao candidato do PMDB, Eduardo Paes, que também seria recebido, se o desejasse, na entidade. Também afirmou que muitos militares têm dito que não votarão em Gabeira de jeito nenhum, por causa de seu passado de conflito com as Forças Armadas, mas outros têm declarado voto no candidato."É um encontro meio inusitado, um antigo guerrilheiro sendo recebido aqui no Clube Militar", afirmou Figueiredo. "Se ele teve ponto de afastamento, hoje tem um ponto de aproximação, que é sua posição de combate à imoralidade pública."

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