Hillary evita apoiar pleito do Brasil na ONU

Secretária de Estado dos EUA encoraja País a continuar lutando por vaga no Conselho de Segurança, mas não oficializa respaldo ambição brasileira

Denise Chrispim Marin, correspondente de O Estado de S. Paulo

23 de fevereiro de 2011 | 23h00

WASHINGTON - Ao lado do chanceler Antônio Patriota, a secretária americana de Estado, Hillary Clinton, encorajou o Brasil a continuar seus esforços para integrar o Conselho de Segurança das Nações Unidas como membro pleno no futuro. Mas, não deixou escapar nenhum sinal de apoio de seu país ao pleito brasileiro. A declaração antecipou a provável resposta do presidente Barack Obama, que fará sua primeira visita ao Brasil nos dias 19 e 20 de março.

 

"Nós admiramos muito o papel do Brasil como líder global e sua aspiração de ser membro permanente do Conselho de Segurança. Esperamos manter um diálogo construtivo com o Brasil sobre a reforma do Conselho", afirmou Hillary, ao ser questionada pela imprensa se as posições brasileiras sobre o programa nuclear iraniano no ano passado ainda seriam um obstáculo a esse pleito. "Acreditamos que há muitas áreas multilaterais nas quais o Brasil pode demonstrar sua liderança e damos apoio a esses esforços."

 

Hillary não esperou a resposta de Patriota, sob o pretexto de estar atrasada para uma reunião com Obama. Seus assessores, entretanto, anotaram a discreta cobrança do chanceler sobre a promessa feita pelo presidente americano em Nova Délhi, em 2009, de engajar seu governo na reforma do Conselho de Segurança.

 

Patriota insistiu que o governo brasileiro pretende contribuir com a solução de questões desestabilizadoras da ordem mundial, como a do Irã. "Na medida em que há um apreço ao trabalho que o Brasil vem fazendo no Conselho de Segurança, estamos muito bem posicionados aqui", afirmou o ministro.

 

Os EUA já deram apoio explícito à ascensão do Japão e da Índia à posição de membros plenos do Conselho. O antigo suporte à Alemanha nunca foi reiterado por Obama. Ao Brasil, o apoio em curto prazo tornou-se inviável desde o voto contrário do País às sanções adicionais do Conselho de Segurança ao Irã, em junho passado.

 

Hillary destacou que o governo brasileiro obedeceu a decisão final e aplicou a nova retaliação. Mas, na avaliação do governo americano, a atitude não é suficiente para se ter uma clara visão do comportamento do Brasil como membro pleno do órgão mais relevante na área de segurança mundial.

 

Na conversa com Patriota, ela insistiu no compromisso americano de conceder "importante" transferência de tecnologia ao Brasil, no caso da escolha dos caças F-18 Super Hornet na concorrência da Força Aérea Brasileira.

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