Hillary defende posição dos EUA sobre ambição do Brasil na ONU

Em discurso recheado de elogios ao país, secretária de Estado americana disse que papel do Brasil na ONU não depende só dos EUA.

Alessadra Corrêa, BBC

16 de abril de 2012 | 21h45

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, voltou a defender nesta segunda-feira, em visita a Brasília, a posição americana de não apoiar explicitamente a ambição do Brasil de conquistar uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Em um discurso recheado de elogios ao país, a secretária disse que é difícil imaginar um Conselho de Segurança que não inclua o Brasil no futuro, mas que isso não depende somente dos EUA.

"Eu acho que seria muito difícil imaginar um Conselho de Segurança futuro que não inclua um país como o Brasil, com todo o seu progresso e o grande modelo que representa de uma democracia que está progredindo e garantindo oportunidades para seu povo", disse Hillary, em entrevista coletiva ao lado do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota.

"Nós acreditamos que os EUA mostraram mais comprometimento com reformas na ONU do que muitos de nossos parceiros. Mas nós também aprendemos que até que outros países estejam comprometidos com uma reforma na ONU não haverá progresso", afirmou.

Há anos o Brasil tem como objetivo conquistar um assento permanente no Conselho de Segurança, e o país gostaria de receber dos EUA o mesmo apoio dispensado à Índia, outra potência emergente com a mesma aspiração.

O discurso de Washington, porém, costuma ser o de que apoia a intenção brasileira de conquistar uma vaga permanente, mas nunca de um apoio explícito, como o feito à Índia.

A secretária manteve essa linha, ao dizer que "os EUA absolutamente admiram a crescente liderança do Brasil e sua aspiração de se unir ao Conselho de Segurança como membro permanente".

Energia

Hillary chegou a Brasília na noite de domingo, para uma visita de dois dias, feita uma semana após a passagem da presidente Dilma Rousseff pelos EUA.

Pela manhã, a secretária falou a empresários em um evento na CNI (Confederação Nacional da Indústria) e reforçou a intenção de seu governo de incentivar empresas americanas a aumentar os investimentos no Brasil, especialmente no setor de energia.

A secretária também se reuniu com a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, e discutiu os desafios que o Brasil tem pela frente com a exploração de petróleo na camada do pré-sal.

"É complicado, desafiador e caro", disse Hillary. "Os EUA estão prontos para participar."

Como observou o chanceler Patriota, energia é um tema considerado estratégico na relação entre os dois países.

"Existe a ideia de estabelecer um grupo formado pelo setor privado dos EUA e pela Petrobras para examinar formas de cooperação", disse o ministro.

Síria

Durante a reunião desta segunda-feira, Hillary e Patriota discutiram também a situação na Síria, onde apesar da promessa do governo de implementar um plano de cessar-fogo articulado pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, persistem ataques contra civis em cidades como Homs.

Nesta segunda-feira, começaram a chegar à Síria os primeiros monitores das Nações Unidas que vão acompanhar a implementação do plano de paz.

"Não vou pré-julgar o resultado do processo na Síria", disse Hillary, ao observar que esta semana será crucial para avaliar a implementação do plano.

Nesta terça-feira, último dia de sua visita ao Brasil, a secretária participa, ao lado da presidente Dilma Rousseff, da abertura do encontro da Open Government Partnership (OGP, ou Parceria sobre Transparência Governamental, em tradução livre), iniciativa que tem entre seus objetivos o combate à corrupção.

Turistas e estudantes

Mais cedo, em discurso na CNI (Confederação Nacional da Indústria) ao lado do secretário do Interior americano, Ken Salazar, Hillary reforçou a ofensiva de seu governo para atrair mais brasileiros.

"Queremos ver mais turistas do Brasil", disse.

"Nós mal podemos esperar para dar as boas vindas aos futuros cientistas do Brasil em nosso país", afirmou, ao comentar a recente passagem de Dilma pela Universidade de Harvard e pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology) para promover o programa Ciência sem Fronteiras.

O programa tem como meta enviar 101 mil bolsistas para estudar no exterior - 75 mil financiados pelo governo.

A expectativa é de que cerca de um quinto deles tenha como destino os Estados Unidos. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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