Herdeiros caçam ''fortuna'' de Jânio

Com ajuda de doleiro, eles procuram dinheiro na Suíça

, O Estadao de S.Paulo

01 de abril de 2009 | 00h00

Investigando as atividades do doleiro Kurt Paul Pickel, os agentes federais empenhados na Operação Castelo de Areia descobriram uma verdadeira caça a um tesouro esquecido. Trata-se de supostos 20 milhões, talvez de dólares, depositados em contas bancárias secretas abertas na Suíça possivelmente pelo ex-presidente Jânio Quadros. Quem procurava a fortuna eram os advogados Marcos Henares Vilarinho e João Mendonça de Amorim Filho, que receberam dos herdeiros do ex-presidente a missão.A descoberta foi feita durante o monitoramento dos e-mails enviados pelo doleiro. Em 25 de março de 2008, Pickel enviou ao advogado Patric e Le Houelleur, com escritório em Genebra, na Suíça, uma mensagem em que diz estar atrás dos fundos "provavelmente substanciais (excedendo $ 20 milhões) do senhor Jânio da Silva Quadros, antigo presidente do Brasil e antigo prefeito da cidade de São Paulo, morto em 1992".Ele conta que a família do ex-presidente brigou durante anos, mas que em 2006 os herdeiros entraram em acordo. "O finado Jânio Quadros era considerado um homem inteligente, astuto e sem nenhuma dúvida escondeu muito bem os fundos que possuía no exterior". Pickel diz que suas conexões em dois bancos de Genebra podem ajudar, mas afirma que a chance de achar a fortuna é pequena.No fim de março de 2008, os federais surpreenderam Vilarinho dizendo que "Janinho" ia ao seu escritório para tratar "daquele negócio do avô dele". "Janinho provavelmente é Jânio Quadros Neto e o assunto, os depósitos bancários que o ex-presidente da República teria no exterior", diz relatório da PF. Em 15 de julho, foi a vez do próprio Jânio Quadros Neto telefonar a Vilarinho. O neto do ex-presidente pergunta se há "alguma novidade lá do advogado da Europa" e se "eles vão abordar a instituição". Pickel conta em e-mail que o ex-presidente tinha uma conta no Citibank da Suíça, e que dinheiro teria sido transferido para outra conta, mas de um trust. ?CONTRATO DE RISCO?Em 19 setembro de 2008, o juiz Fausto Martim De Sanctis escreveu, ao prolongar os grampos dos suspeitos que "as referidas contas (de Jânio Quadros) ainda não teriam sido localizadas". Vilarinho admitiu ao Estado que foi contratado por Jânio Neto para achar as contas. "Era um contrato de risco. O prazo acabou e nada foi achado."O monitoramento da Polícia Federal mostra que, com o passar do tempo, Jânio Neto e Vilarinho teriam perdido o interesse em achar o tesouro. É o que conta relatório de 31 de outubro. Em resposta a um e-mail de Le Houelleur, Pickel afirma que está esperando notícias de Vilarinho e Jânio Neto. Desde então, a PF não detectou mais nenhuma movimentação em busca dos supostos milhões do ex-presidente.

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