Herdeiro da UDR, grupo reflete poder econômico do agronegócio

Objetivo dos parlamentares é defender propriedade e influenciar normas sobre reforma agrária.

João Fellet, BBC

24 Maio 2012 | 14h30

A bancada ruralista ganhou importância na política nacional a partir da Assembléia Constituinte (1988), quando era representada pela UDR (União Democrática Ruralista). O objetivo declarado da entidade, formada por cerca de 20 parlamentares, era defender o direito de propriedade e influenciar a regulamentação de artigos constitucionais que tratavam da reforma agrária.

Após ser desativada em 1994, a UDR voltou a operar em 1996. Nas décadas seguintes, ancorada no sucesso do agronegócio nacional, a bancada ruralista cresceu e se diversificou ao incorporar membros da CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil) e da SRB (Sociedade Rural Brasileira).

Hoje, um dos principais expoentes da bancada é a presidente da CNA e senadora Kátia Abreu (PSD-TO). No Senado, o grupo também é representado por Blairo Maggi (PR-MT), Ivo Cassol (PP-RO), Renan Calheiros (PMDB/AL) e Álvaro Dias (PSDB-PR), entre outros.

Na Câmara, Ônix Lorenzoni (DEM-RS), Moreira Mendes (PSD-RO), Paulo Cezar Quartiero (DEM-RR) e Homero Pereira (PSD-MT) são algumas de suas principais lideranças.

Fortalecimento

Na última legislatura (2007-2011), segundo estudos, a bancada ruralista buscou novas alianças e se fortaleceu institucionalmente.

Em artigo divulgado no 19° Encontro Nacional de Geografia Agrária, em 2009, Eduardo Barcelos e Maycon Berriel, da Universidade Federal Fluminense, apontam dois motivos para o crescimento do grupo: a falta de avanços significativos na política de reforma agrária no governo Lula (2003-2010) e a forte campanha pró-biocombustíveis da administração federal.

Na atual legislatura, diz o historiador Edélcio Vigna, que estuda a bancada ruralista desde 2001, o grupo segue fortalecido. Segundo ele, isso se deve em parte ao sistema de coalizão governista, que confere ao PMDB - partido mais representado na bancada e principal membro da coligação do governo - maior poder de barganha no Congresso.

Ainda assim, diz Vigna, o grupo tem de se associar a outros congressistas para vencer votações importantes. Essas alianças, segundo ele, costumam se embasar na troca de favores.

A força da bancada também se assenta na prosperidade do agronegócio brasileiro. Hoje, o Brasil é o terceiro maior exportador de commodities agrícolas do mundo, atrás somente dos Estados Unidos e da União Europeia.

Em 2011, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP), o agronegócio foi responsável por 22,15% do PIB, soma de todas as riquezas produzidas no país. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.