Dida Sampaio|estadão
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Heráclito serve pizza a vencedores

Deputado é anfitrião de jantar após resultado

Julia Lindner / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2016 | 06h50

A noite de alguns parlamentares pró-impeachment terminou em uma amplo jantar após a Câmara autorizar a abertura do impeachment no domingo à noite. Na mansão da filha do deputado Heráclito Forte (PSB-PI), no Lago Sul, deputados comemoraram o resultado da votação. O jantar oferecido por Heráclito, como já é de praxe, foi regado a vinho. E pizza.

Convicto da vitória, Heráclito participou diretamente das negociações em nome de Temer na Câmara e cravou os 367 votos a favor do impeachment. Ele disse que não quis participar do bolão organizado pelo presidente do Solidariedade, deputado Paulinho da Força (SP), pois o momento pedia seriedade. No início da votação de ontem, já circulava entre os opositores 100 convites entregues pelo deputado para a comemoração.

Passaram pelo evento cerca de 50 pessoas, como o ex-ministro do governo Dilma Mauro Lopes (PMDB-MG); o deputado Rubens Bueno (PR), líder do PPS; Fernando Coelho Filho (PE), líder do PSB; Efraim Filho (DEM-PB), Sarney Filho (PV-MA) e Carlos Bezerra (PMDB-MT). O deputado Carlos Marun (PMDB-MS) chegou às 2 da manhã, depois de um coquetel mais reservado na casa de Temer, com 30 parlamentares.

Durante o bate-papo que foi até de madrugada na casa de Heráclito, a avaliação foi a de que, caso Luiz Inácio Lula da Silva ainda estivesse na Presidência, não teriam conquistado votos importantes para aprovar o impeachment. Mesmo entre os petistas, eles consideram que a grande maioria é lulista e não apoia Dilma. Como aliado da presidente, citaram o vice-líder do governo, Silvio Costa (PT do B-PE), que chorou com o resultado da votação.

Sobre as traições que pegaram o governo de surpresa, Alfredo Nascimento (AM), ex-ministro dos Transportes, teria dito há alguns dias a um dos deputados que mudaria a sua posição por vingança.

Alguns dos principais articuladores de Temer na Câmara parecem não saber como agir nos próximos 30 dias. Eles temem que o vácuo no poder até a votação no Senado possa enfraquecer o vice.

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