Heráclito quer acesso à íntegra dos grampos

Senador pretende recorrer à Justiça e diz que não tem ''nada a dever''

Luciano Coelho, O Estadao de S.Paulo

15 de julho de 2008 | 00h00

O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) disse ontem, em Teresina, que pretende recorrer à Justiça para ter acesso às escutas da Polícia Federal em que seu nome é citado. O parlamentar quer divulgar o inteiro teor das gravações no site do Senado, não somente trechos isolados na conversa. Para o senador, o PT tenta imobilizá-lo.Heráclito aparece no relatório da Operação Satiagraha em pelo menos dois momentos: em uma conversa grampeada com Guilherme Henrique Sodré Martins, apontado como lobista do grupo investigado, e no suposto organograma da organização, na parte referente a "agentes públicos" associados ao esquema.O senador diz desconhecer a razão de ter sido monitorado. "Não sabemos de quem partiu a ordem para o grampo. Tem que ser identificada a origem", comentou."Eu sou o primeiro interessado em saber o que contêm estas escutas, porque não tenho nada a dever e gostaria de disponibilizar isso no inteiro teor e não apenas trechos soltos como estão fazendo", ressaltou Heráclito.Segundo o senador, já tentaram envolvê-lo em escândalos antes. "Quem está na vida pública tem que conviver com esse tipo de adversário. Estou com a consciência tranqüila." Ele citou como exemplo a ocasião em que teve sua bagagem revistada em Barreirinhas (MA), sob a legação de que levava dinheiro para a campanha de um candidato do PT à prefeitura local. "Mas ninguém me empareda.""Não fiz e não faço vida pública com fins inconfessáveis. Nunca recebi carro importado de bicheiros e nunca defendi a legalização do jogo com fins inconfessáveis. É preciso que as insinuações tenham um limite", advertiu o senador."Atravessei 25 anos de política convivendo com as melhores companhias do Congresso brasileiro e me afastando das ruins. Não é agora que vou aceitar isso", assegurou Heráclito.

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