Heloísa Helena critica processo único contra Renan

O partido da ex-senadora, o PSOL, é autor de três das quatro representações contra ele, que escapou da 1ª

EVANDRO FADEL, Agencia Estado

01 de outubro de 2007 | 17h42

A presidente do PSOL, ex-senadora Heloísa Helena, criticou hoje em Curitiba a proposta do presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), de unificar duas representações por suposta quebra de decoro parlamentar contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL).   Veja também: Renan diz que acusação acabou como ficção de novela Especial: veja como foi a sessão que livrou Renan da cassação Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  Fórum: dê a sua opinião sobre a decisão do Senado   Aliados de Renan querem ajuda do PT para adiar ações   "Como mãe de família que ensina os filhos que é proibido roubar, espero que haja a legítima, bela e independente pressão da sociedade para impedir que mais um procedimento investigatório seja sinônimo de impunidade no Senado", apelou.Pela sugestão de Quintanilha, as denúncias de que Calheiros teria comprado duas emissoras de rádio e um jornal em Alagoas usando nome de "laranjas" e a de que teria montado um esquema para desvio de recursos de ministérios comandados pelo PMDB seriam analisadas como um único processo. "É muito difícil agüentar essa flexibilidade a todo momento dentro do Conselho de Ética", reclamou Helena.Segundo ela, no início do processo foi apresentado um requerimento para aditamento das novas denúncias na representação originária, mas não foi aceito. A presidente do PSOL esteve em Curitiba para abonar a ficha de mais 86 pessoas que se filiaram ao partido, algumas delas oriundas do PT.    Para a ex-senadora, que também deixou o PT para criar o PSOL, a fidelidade partidária é de "fundamental importância", mas desde que não seja "fidelidade às conveniências das cúpulas dos partidos que se vendem por cargos, prestígio, liberação de emendas e poder, mas a fidelidade com base nos programas partidários, nos compromissos assumidos durante o processo eleitoral."   Caso Schincariol isolado   Questionado sobre o motivo de não juntar também a essas duas representações à segunda, que investiga denúncias de que Renan teria intercedido politicamente a favor da cervejaria Schincariol, Quintanilha explicou que as investigações sobre esse caso, cujo relator é o senador João Pedro (PT-AM), já estão bastante adiantadas e,portanto, não seria conveniente anexá-la às outras duas, que ainda estão paradas, à espera da designação de um relator.   "A representação de número 2 já tem até um relatório que será lido amanhã - ressaltou Quintanilha, ao mencionar a reunião do Conselho de Ética desta terça-feira , que, a partir das 10 horas, deverá analisar e votar o relatório de João Pedro.   O senador pelo Amazonas já anunciou que, em seu relatório, vai solicitar a suspensão dos trabalhos do colegiado até que investigação semelhante, que está sendo conduzida pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados por envolver o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), irmão de Renan, aponte se há indícios de participação do presidente no esquema.   Essa segunda representação foi encaminhada pelo PSOL com base em denúncia da revista Veja. Segundo a publicação, o presidente do Senado teria intercedido a favor da Schincariol para quitar dívidas da cervejaria junto ao Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) e à Receita Federal depois de a empresa ter pagado R$ 27 milhões por uma fábrica de refrigerantes do deputado Olavo Calheiros. Na matéria, a revista afirma que a fábrica estava prestes a fechar e não valia mais que R$ 10 milhões.   Já o primeiro processo, que apurou se Renan teve parte de suas despesas particulares pagas por um funcionário da construtora Mendes Júnior, foi considerado procedente pelo Conselho de Ética, que enviou projeto de resolução pela perda de mandato de Renan para votação em Plenário, no último dia 12 de setembro. Os senadores, no entanto, votaram pela rejeição do projeto de resolução, o que resultou no arquivamento do processo.  

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