Heloisa Helena ameniza discurso e critica aliados de FHC

O senadora Heloisa Helena (PT-AL), expoente da ala radical do PT, afirma que não mudará seu estilo no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Mas seu discurso hoje é o de quem está prestes a ser seduzida pela política de conciliação adotada pelo PT na atual fase de transição. Ela não mais defende o calote com o Fundo Monetário Internacional (FMI), nem a reestatização de empresas privatizadas. O tom aguerrido de seu discurso tem agora um novo alvo: são os aliados do presidente Fernando Henrique Cardoso que debocham da rapidez com que os petistas assumiram as teses defendidas pelo atual governo. "Eles não têm moral para nos cobrar", alega. "São pessoas que desestruturaram parques produtivos inteiros, destruíram milhões de postos de trabalho e fizeram uma economia dependente da agiotagem internacional e das instituições multilaterais de financiamento". Heloisa Helena afirma que tem a obrigação de achar que, independentemente de ser governo ou oposição, ela deve ser a mesma. Segundo ela, não haverá alterações na prática de fazer críticas construtivas e propostas ágeis, concretas e eficazes para superar um determinado problema. "Não vou pedir desculpas a Fernando Henrique por nada do que falei", afirma. "E nem me sentiria a vontade de ser carimbada como criticista demagógica". No exame do Orçamento do ano que vem, Heloisa Helena reconhece que o PT terá de ser adequar às prioridades do governo de Fernando Henrique, "resultado de uma política desastrosa patrocinada". Para os próximos anos, ela entende que o partido deve adotar o orçamento impositivo, que sempre defendeu, como forma de evitar "relações promíscuas entre o Executivo e o Legislativo". "Nós temos de retomar a crítica séria, porque nós nos apresentávamos como sérios quando fazíamos o debate orçamentário", alega. A senadora que se dizia "magoada" pelas alianças políticas feitas pelo PT na campanha, hoje, sem detalhar os motivos, se declara saudosista do passado recente do partido. "Estou em um momento de delicadeza espiritual, onde recordar é viver", alega. "Estou revisitando os discursos da base de bajulação do governo, mas tenho também de revisitar os nossos discursos enquanto oposição ao governo".

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