Heloísa Helena acusa governo de discriminar oposição

No dia seguinte ao da promulgação da prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) pelo Congresso, os senadores da base governista e da oposição discutiram durante a manhã na sessão no plenário do Senado a liberação de recursos orçamentários das emendas dos parlamentares. A oposição reclama de não ser atendida por que há critério político, que caracterizaria uma barganha para a aprovação da CPMF e o governo assegura que o critério é exclusivamente técnico. A discussão começou com a senadora Heloísa Helena (PT-AL) acusando o governo de discriminar as emendas de parlamentares oposicionistas na liberação dos recursos. A senadora baseou-se na reclamação do senador Francelino Pereira (PFL-MG), que pertenceu à base governista até o início deste ano, pela não liberação de dinheiro para obras de ligação da BR-367 com a BR-101 (Jequitinhonha à costa do Descobrimento). Heloísa Helena afirma que em três anos nunca teve suas emendas individuais atendidas pelo governo. Segundo ela, isso prejudica os prefeitos alagoanos, inclusive do PSDB, que precisam dos recursos reivindicados por ela na aprovação do Orçamento. A senadora petista chegou a anunciar que vai entrar com requerimento à Mesa Diretora pedindo que o governo esclareça os critérios técnicos e formais utilizados para a liberação. "Para provar que o critério não é político, o governo tem que liberar os recursos da oposição", disse a senadora, afirmando que o comportamento dá a impressão de haver barganha política, em função da aprovação da CPMF, ontem. O vice-líder do governo no Senado Romero Jucá (PSDB-RR) reagiu. Segundo ele, o critério do governo é técnico e chegou a defender que todas as emendas sejam atendidas. "Não há qualquer tipo de barganha, mas sim o estabelecimento de convênios, análise técnica dos projetos e a posterior liberação", afirmou. O líder do PSDB, Geraldo Melo (RN), chegou a comprometer-se a acompanhar a liberação das emendas e de defender que as emendas de autoria da senadora sejam liberadas. Repudiou, no entanto, a acusação de critério político e de barganha na liberação dos recursos argumentando que recentemente o governo federal liberou R$ 10 milhões para a prefeitura de São Paulo, que é do PT, e autorizou um empréstimo do governo do Acre, também petista, junto ao BNDES de US$ 40 milhões. "O prestígio do PT junto ao governo tem provocado reações de ciúmes da base governista", disse Melo.

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