Hélio Costa quer ajuda de Alencar contra Aécio

Aliança pretende combater união entre PT e PSDB

Christiane Samarco, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

19 de março de 2008 | 00h00

Para combater a aliança inusitada entre PT e PSDB em Minas Gerais, o vice-presidente José Alencar (PRB) e o ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), querem montar uma ofensiva eleitoral igualmente eclética. Irritados por não serem consultados sobre a parceria que vem sendo discutida entre o governador Aécio Neves (PSDB) e o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), eles ameaçam se unir ao DEM, chamar descontentes do PT e criar uma frente de até sete partidos para disputar o maior número possível do total de 853 prefeituras de Minas."Vou pessoalmente fazer um convite ao DEM, para que se una ao PMDB de Minas nas eleições municipais", disse Costa, que aproveitou um encontro casual com o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), para antecipar sua disposição. "Republicanos e democratas são adversários nos Estados Unidos, mas aqui pode ser que sejamos aliados", completou Alencar. Os dois aproveitaram um encontro casual com o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA) - que almoçava no mesmo restaurante, em Brasília -, para antecipar sua disposição.Além de trabalhar para unir outros partidos, como PV e PC do B, Costa deu sinais de que gostaria de rachar o PT de Pimentel. "Eu e o vice-presidente combinamos fazer um encontro aqui, na semana que vem, com o Patrus", contou, referindo-se ao petista Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Social, que foi prefeito de Belo Horizonte.Ele e Alencar se queixaram por não terem sido ouvidos por Aécio e Pimentel. "Fui ao governador Aécio na semana passada e manifestei o que disse aqui: como é que fazem um acordo desses sem perguntar nada ao vice-presidente Alencar?", reclamou Costa. "É preciso respeitar as lideranças", cobrou o vice.O ministro também insistiu em que faltou consultá-los na condição de líderes de seus partidos. "Isto não pode ser resolvido a portas fechadas, entre duas pessoas", argumentou. Indagado sobre o prejuízo que sua ofensiva poderia causar à articulação da cúpula do PMDB para filiar Aécio e lançá-lo candidato a presidente em 2010, o ministro repetiu que nem ele nem Alencar são "a favor de decisões de cúpula, sem ouvir as lideranças". Costa ressalvou que, se o governador quiser ingressar no PMDB, terá todo o seu apoio. "Aí, ?habemos? candidato", brincou. "Será ótimo, mas ele tem que vir primeiro."Os dois negaram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha se manifestado a favor da aliança entre Aécio e Pimentel. "Esse apoio é uma coisa que não existe. Eu perguntei diretamente ao presidente Lula sobre isto e ele me disse que a aliança é da responsabilidade de quem a está propondo", disse Costa. Alencar acrescentou que se o presidente tivesse tomado essa decisão teria conversado com ele a respeito.

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