Hélio Costa diz que faltou coragem para Aécio

O candidato do PMDB ao governo de Minas Gerais, Hélio Costa, disse hoje que faltou "estratégia política" e "coragem" ao ex-governador Aécio Neves (PSDB) na sua tentativa de se viabilizar como candidato à Presidência da República. De acordo com Costa - que tem como principal adversário na corrida estadual o governador tucano Antonio Anastasia, que disputa a reeleição com apoio de Aécio -, caso o ex-governador tivesse tomado uma decisão "tempos atrás" de deixar o PSDB, ele poderia estar atualmente disputando o Palácio do Planalto com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

EDUARDO KATTAH, Agência Estado

11 de agosto de 2010 | 17h36

"Houve um vácuo de candidatos quando nós perdemos o candidato natural, que seria José Dirceu (ex-ministro da Casa Civil), e depois perdemos o (ex-ministro da Fazenda Antonio) Palocci. E havia uma simpatia do Lula por ele (Aécio). Faltou um pouquinho de desprendimento político, para não dizer coragem (de deixar o PSDB)", afirmou Costa, durante sabatina promovida pelo jornal Folha de S. Paulo. Candidato ao Senado, Aécio desistiu de sua pré-candidatura presidencial em dezembro do ano passado, deixando o caminho livre para José Serra. Para o peemedebista, o tucano não teve visão política para perceber que não conseguiria se viabilizar como candidato no PSDB e contra Serra.

Costa observou que não disputaria nenhum cargo majoritário se Aécio fosse candidato à Presidência. "Seria impossível para um mineiro ficar contra uma candidatura de Aécio". Também reforçou a tática de poupar o ex-governador de críticas, centrando seus ataques em Anastasia e insistindo na promessa de melhores salários para os professores. Chegou a dizer que suas críticas mais recentes foram dirigidas ao "atual governo", embora Anastasia tenha assumido em maio e seja desde o início da administração Aécio o principal gestor do governo mineiro.

Em declaração divulgada por sua assessoria, o ex-governador rebateu as afirmações do peemedebista, destacando que sempre repudiou o "oportunismo" como "meio de ascensão política". "Coragem na vida pública é honrar compromissos assumidos com a população. É priorizar a coerência e a lealdade às próprias convicções e princípios", disse Aécio. "Como muitas pessoas em Minas, eu tenho dificuldade em compreender como o senador não se constrange em caminhar de braços dados com quem já o atacou de forma tão violenta, como é o caso da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do PT, que, num passado pouco distante, talvez até de forma injusta, chegou a pedir a impugnação da candidatura dele ao governo do Estado. Na vida pública, cada um faz as suas escolhas e tem a sua trajetória própria. E por elas será julgado."

Hoje, durante a sabatina de duas horas, Costa respondeu a uma suposta insinuação feita por Anastasia no dia anterior de que teria se cercado de más companhias. Ele disse que sua "turma'' é do presidente Lula, citando a presidenciável Dilma Rousseff, o vice-presidente José Alencar e os petistas Patrus Ananias e Fernando Pimentel. Costa se disse "emocionado" com o empenho dos "companheiros do PT" na campanha e chegou a chorar ao falar da trajetória do presidente. Em uma pergunta da plateia, foi questionado se sua turma incluía o ex-governador Newton Cardoso. "Eu represento uma ala nova do PMDB, uma ala moderna do PMDB", desconversou.

Correios

Ex-ministro das Comunicações, o candidato do PMDB iniciou a entrevista com uma defesa da direção dos Correios nomeada por ele - cujo presidente Carlos Henrique Custódio e o diretor Pedro Bifano, foram demitidos recentemente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Costa atribuiu as denúncias de perda de eficiência e loteamento político na estatal a um grupo formado por multinacionais - não citou nomes - interessado na privatização da empresa. Classificou a gestão dos dirigentes por ele indicados como honesta e correta e admitiu a hipótese de levar Custódio para seu eventual governo, caso eleito. "É um excelente funcionário."

Para o peemedebista, as críticas aos Correios é "coisa de mau brasileiro" e a estatal sofre com os efeitos de uma legislação ultrapassada. "Isso é que torna os Correios vulnerável. Tem um lobby muito forte, colocado em Brasília e São Paulo, que trabalha para a privatização dos Correios. E todo mundo que trabalha para esse lobby fala mal dos Correios." Segundo Costa, o sistema de franquias foi inventado durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, "como um presente para amigos".

Durante a sabatina, o candidato do PMDB também defendeu a revisão das dívidas dos Estados com a União e uma mobilização no Congresso Nacional pelo aumento dos royalties pagos pela exploração do minério de ferro e a volta da cobrança do ICMS do produto exportado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.