Hélio Costa aposta em telemarketing com Lula para nacionalizar campanha

Candidato do PMDB quer que presidente aproveite visita ao Estado para gravar 'telefonema' de apoio

Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo,

07 de setembro de 2010 | 16h15

Mesmo diante de uma suposta resistência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a campanha de Hélio Costa (PMDB) ao governo de Minas editou uma mensagem de telemarketing que será dirigida aos eleitores mineiros utilizando uma fala gravada anteriormente pelo mandatário. Com o avanço do governador tucano e candidato à reeleição, Antonio Anastasia, nas pesquisas de intenção de voto, o peemedebista joga suas fichas na nacionalização da campanha estadual e na popularidade do presidente, estrela de um comício programado para a noite desta quarta-feira, 8, em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte.

 

Durante a visita, a intenção dos apoiadores de Costa é convencer Lula a gravar uma mensagem específica de apoio ao candidato para a campanha por telefone. O recurso do telemarketing foi utilizado pelo ex-governador Aécio Neves (PSDB) em favor de Anastasia e foi considerado eficaz.

 

"Eu gravei o telemarketing e certamente tem uma participação do presidente pedindo voto para mim", disse nesta terça-feira, 7, Costa. "É uma fala minha e dele. Com a vinda dele aqui nós vamos fazer várias outras gravações, para a televisão, para o rádio e possivelmente para o telemarketing."

 

A intenção é que a mensagem atinja entre 3,5 milhões e 4 milhões de telefones fixos no Estado. "O ex-governador (Aécio) fez no Estado inteiro, acho que ele cobriu 4 milhões de aparelhos", comentou Costa, que diz desconhecer qualquer resistência do presidente em gravar a mensagem telefônica. "Isso nunca foi passado para mim", disse. "Nunca tive um não desse presidente em termos de campanha. Minas Gerais é importante para ele, é importante para nós."

 

Após Aécio impulsionar a candidatura de Anastasia no horário eleitoral no rádio e na TV, a aliança entre petistas e peemedebista recebeu de Lula a promessa de uma participação mais intensa na campanha majoritária mineira. O presidente está sendo chamado para confrontar a popularidade de Aécio no Estado e estabelecer a diferença entre os dois projetos, à semelhança da eleição plebiscitária proposta no plano federal.

 

"Subproduto". A tática já provoca reação entre os tucanos. Nesta segunda-feira, 6, durante campanha em Janaúba, no norte de Minas, Aécio exortou: "Não vamos permitir que transformem a eleição para o governo de Minas em subproduto de uma eleição nacional". O ex-governador e candidato ao Senado tem também criticado os adversários pela busca de apoio fora do Estado.

 

"Eles são adversários do Lula hoje, eles são adversários da Dilma. É oposição", reagiu Costa. "Em campanha, cada um tem o seu lado. O lado do ex-governador é o lado do (José) Serra (candidato do PSDB à Presidência). O lado do candidato que ele apresentou é o lado do Serra. Fiquem com ele. Por favor, assumam. Cada um assuma o seu (candidato). Eu estou assumindo a candidatura da Dilma Rousseff em Minas Gerais."

 

"Governador do PT". A coligação em torno de Costa quer aproveitar a presença de Lula em Minas para apresentar um "levantamento" dos investimentos federais no Estado durante o governo Lula. A campanha fala em cerca de R$ 40 bilhões.

 

Para o peemedebista, Aécio foi tratado como um "governador do PT", como prometera Lula ao ser eleito. "Só (que o presidente) não teve o mesmo tratamento. Ele (Aécio) devia ter tratado o Lula como um presidente do PSDB."

 

Antes do comício em Betim com a presença da presidenciável petista Dilma Rousseff, Lula entregará obras em Uberlândia e Contagem.

 

Questionado sobre a aposta dos adversários na presença do presidente, Anastasia preferiu contemporizar: "É uma grande honra para Minas Gerais ter a presença sempre aqui do presidente de República, das outras autoridades políticas e que faz parte do jogo democrático."

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