Hélice quebrada pode ter causado acidente com avião da TAM

Hélices da turbina do Fokker 100 se soltaram e causaram a destruição das janelas do avião da TAM que fazia o vôo 9755, entre Recife e São Paulo, matando a aposentada Marlene Aparecida Sebastião dos Santos, de 48 anos, e ferindo outros três passageiros.A constatação preliminar foi feita por especialistas do Departamento de Aviação Civil (DAC) e do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), que estiveram no Aeroporto Internacional de Confins, a 40 quilômetros de Belo Horizonte (MG). O Fokker fez um pouso de emergência no local após a cabine ser despressurizada pela quebra de três janelas.Causas do despalhetamento são desconhecidasA causa do despalhetamento - as hélices do interior das turbinas são conhecidas como palhetas - ainda não é conhecida. A conclusão só será revelada no relatório final da investigação do DAC, que deve ficar pronto em quatro ou cinco meses, segundo prazo estimado pelo Cenipa."Pode ter havido desde falha no disco das palhetas até o rompimento delas com o choque de camadas de gelo que se criam sobre o avião em grandes altitudes", disse o comandante Ronaldo Jenkins de Lemos, coordenador da Comissão de Segurança de Vôo do Sindicato das Empresas Aeroviárias.AntecedentesLemos, no entanto, acha pouco provável que tenha havido falha mecânica. "Ainda é muito cedo para afirmar as causas do despalhetamento, mas sei que os critérios de manutenção são muito rígidos", disse o comandante, que representada o sindicato na comissão de investigações do DAC. Segundo ele, o rompimento de palhetas já ocorreu em outros modelos de avião. "Em alguns casos, as palhetas, depois de quebradas, ficam dentro da própria turbina e o passageiro acaba nem sabendo do problema. Mas em outros, como ocorreu com o Fokker, elas são expelidas", disse Lemos. "As peças saem com a força de um canhão."Avaliação ainda é ?muito preliminar?O coronel aviador Antonio Junqueira, chefe do Cenipa, confirmou a constatação do despalhetamento por parte de investigadores do acidente. Junqueira ressalvou que a avaliação é "muito preliminar". Segundo ele, as causas serão esclarecidas pelo DAC."Pode-se dizer que o acidente teve como origem danos no fan (conjunto de palhetas) do motor direito", afirmou Junqueira.Ele explicou que a investigação vai apurar o tipo de dano que causou a quebra das palhetas. As hipóteses em estudo são variadas: quebra do disco que contém as palhetas, quebra de uma palheta, que pode ter estilhaçado as outras, e até choque com um corpo estranho no ar. Outra hipótese é a de fadiga de equipamento - enfraquecimento interno da peça, que acaba se rompendo.Junqueira descartou a possibilidade de falha de manutenção. "A Rolls-Royce, fabricante das turbinas, tem uma manutenção muito criteriosa, e o programa da TAM é muito sério, responsável", ele afirmou." Segundo ele, a manutenção de motores é uma atividade "meticulosa e cara", na qual não se economiza.O assessor da presidência da TAM, Paulo Pompílio, informou que "a empresa aguarda a conclusão da investigação, contribuindo para o que for necessário para auxiliar a comissão investigadora".Nova vistoriaApós o acidente do último sábado, a TAM fez uma nova vistoria em todos os 50 Fokkers 100 de sua frota. A inglesa Rolls-Royce informou, por meio de sua assessoria de imprensa no Brasil, que já tem técnicos acompanhando as investigações no Aeroporto de Confins.Nesta terça-feira chegam da Inglaterra outros profissionais para acompanhar os técnicos do DAC. A Fokker também está enviando representantes da Holanda, país onde fica a sede da empresa, para acompanhar as investigações.

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