Dida Sampaio / Estadão
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Heleno diz que governo não está pensando em intervenção militar: 'Não resolve nada'

Ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional defendeu atos antidemocráticos: 'São livres, espontâneos e permitidos'

Emilly Behnke, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2020 | 10h25

BRASÍLIA - O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, afirmou nesta quinta-feira, 28, que ninguém no governo está pensando em uma "intervenção militar" e que uma ruptura democrática no País "não resolve nada".  "Não houve esse pensamento (de intervenção) nem da parte do presidente nem dos ministros", disse em frente ao Palácio da Alvorada, após se reunir com o presidente Jair Bolsonaro.  Questionado sobre pedidos de intervenção em manifestações pró-governo, Heleno defendeu que os atos são "livres, espontâneos e permitidos".    

O ministro afirmou que sua "nota à nação brasileira"  divulgada na semana passada, em que cita "consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional" em caso de apreensão do celular de Bolsonaro, solicitada por partidos da oposição, era "genérica" e "neutra", e não um recado ao ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF). O decano da Corte solicitou parecer da Procuradoria-Geral da República sobre o pedido.

"Foi uma nota completamente neutra colocando o problema em si sem citar nomes", disse Heleno. "Não falei em Forças Armadas, não falei em intervenção militar", afirmou.  

Segundo Heleno, caso ficasse "calado" sobre a possibilidade de apreensão indicaria estar concordando com a possibilidade de recolher o celular do presidente. "Não se justifica que a maior autoridade do País tenha seu telefone celular apreendido a troco de coisas que não tem o menor sintoma de crime", declarou. 

O ministro pediu ainda "equilíbrio, harmonia e bom senso" na relação entre os Poderes públicos. "Vamos manter o equilíbrio entre os Poderes, limitar as decisões as atribuições dos respectivos Poderes. É isso que se está pleiteando".

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