Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Heleno diz que foi 'falta de sorte' prisão de militar com cocaína na véspera do G-20

Ministro do GSI diz que fato foi 'muito desagradável', mas minimiza impacto da prisão na imagem do Brasil

Beatriz Bulla e Célia Froufe, Enviadas especiais a Osaka

27 de junho de 2019 | 09h56

OSAKA - O ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, classificou como uma "falta de sorte" que o caso do segundo-sargento da Aeronáutica detido com cocaína na Espanha tenha acontecido às vésperas do G-20.

"Podia não ter acontecido, né? Foi uma falta de sorte acontecer exatamente na hora de um evento mundial e acaba tendo uma repercussão mundial que poderia não ter tido. Foi um fato muito desagradável", afirmou Heleno, ao comentar o caso em Osaka, no Japão, onde acompanha o presidente Jair Bolsonaro para a reunião das 20 maiores economias do mundo.

Ele minimizou, contudo, o impacto da prisão na imagem do Brasil. "Se mudar a imagem do Brasil por causa disso, realmente, só se a gente não estivesse sabendo da quantidade de tráfico de droga que tem no mundo", afirmou o general.

Na terça-feira, o segundo-sargento da Aeronáutica, Manoel Silva Rodrigues, foi detido em Sevilha, na Espanha, ao chegar ao país com 39 quilos de cocaína em sua bagagem pessoal, em um avião da FAB. Heleno afirmou que todos os que entram no avião presidencial têm a mala revistada, inclusive o presidente da República, mas disse que não há "efetivo" para manter o esquema de vigilância por todo o tempo.

"Todo mundo tem a sua mala revistada, inclusive nós, a do presidente da República, a do ajudante de ordem. O que vocês têm que entender é que esse sargento era da comissaria, ele chega muito antes. Você não tem efetivo para manter todo tempo um esquema de vigilância", afirmou o general.

O ministro da GSI descartou a possibilidade de mudar algo na segurança do próprio presidente. Segundo ele, a Força Aérea Brasileira (FAB) já se posicionou sobre o tema para corrigir o esquema de segurança, mas o GSI não atuará na questão.

"Leiam a nota da Força Aérea, a Força Aérea diz ali que vai aperfeiçoar o seu esquema de segurança. Claro que isso aí não é uma coisa normal, então houve um problema, que escapou. (…) Cada um tem o seu cada qual. A revista de passageiros, de malas, para os aviões da FAB são encargo da FAB, que não é subordinada a mim. Então, o GSI não tem nada que ver com isso, zero", afirmou Heleno.

Ao dizer que o GSI não irá interferir nos procedimentos de segurança do presidente no caso dos voos da FAB, o general fez um paralelo com a refeição do presidente da República. "O GSI não prova a comida do presidente. Cada um tem sua tarefa, suas missões. A gente não vai entrar na área do outro", afirmou.

Bolsonaro chegou ao Japão por volta das 14h desta quinta-feira, 27 (2h no horário de Brasília). Ao chegar, demonstrou irritação em rápida conversa com jornalistas. Heleno afirmou que Bolsonaro está preocupado com temas que tramitam no Congresso, ao justifcar o comportamento do presidente. "Ele, de longe, sempre é mais difícil tomar conhecimento exatamente do que está acontecendo. Ele está preocupado, mas não está aborrecido, não", afirmou.

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