HC faz enxerto com pele artificial

O Hospital das Clínicas (HC) realizou, pela primeira vez no Brasil, enxerto com pele artificial em pacientes queimados. Uma mulher de 32 anos e um homem de 36 foram operados no dia 21 de abril; ambos passam bem. Aprovada para o uso nos Estados Unidos desde 1999, a pele artificial ainda não está disponível em todo o Brasil.Com aproximadamente 1 milímetro de espessura, a pele artificial é muito parecida com a humana. Feita de colágeno e glicosaminoglicans - duas substâncias encontradas naturalmente na derme -, a única diferença é não ter células. Mesmo assim, depois de 8 meses de realizado o enxerto, células da derme do paciente migram para a pele artificial e começam a se multiplicar. "O produto é indicado para casos de queimadura grave e tem caráter restaurador", diz o médico Carlos Fontana, chefe do Serviço de Queimados do HC. As vantagens são: melhor resultado estético, menor número de cirurgias de reconstrução da área queimada e pós-operatório mais curto.Três centros de pesquisa se uniram para desenvolver a pele artificial: o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), o Hospital-Geral de Massachusetts e a Nasa (Agência Espacial dos Estados Unidos). A idéia nasceu como uma alternativa para pacientes com queimadura grave em grande área do corpo. Nesses casos, os especialistas esbarram sempre em um obstáculo: não há de onde tirar pele para enxertar na área queimada e, recorrendo ao banco de pele, há o perigo da rejeição.O artifício usado pelos cirurgiões é produzir uma espécie de renda com a pele disponível, aumentando sua área. Mas Fontana afirma que essa técnica requer várias cirurgias e os pacientes ficam expostos a infecções, por isso muitos morrem.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.