André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Esquema da SBM na Petrobrás envolveu ex-diretores, diz Hage

Ex-chefe da CGU afirma à CPI que apuração aponta envolvimento de alvos da Lava Jato com propinas da empresa holandesa

Daiane Cardoso, O Estado de S. Paulo

07 de julho de 2015 | 13h37

Atualizado às 22h59

Brasília - Em audiência na manhã de ontem na CPI da Petrobrás, o ex-ministro da Controladoria-Geral da União (CGU) Jorge Hage disse que as investigações sobre o pagamento de propina da SBM Offshore a funcionários da estatal apontaram, até o momento, o envolvimento de seis pessoas, entre eles os ex-diretores Renato Duque, Nestor Cerveró e Jorge Zelada – todos alvos da Operação Lava Jato.

Segundo Hage, as investigações indicaram enriquecimento ilícito, transações imobiliárias suspeitas, emprego de parentes de funcionários da Petrobrás em empresas ligadas à SBM, viagens suspeitas para Holanda e vazamento de informações confidenciais da estatal à SBM. Hage disse que a senha de Zelada teria sido usada para o compartilhamento dessas informações à empresa holandesa. Zelada foi preso na semana passada pela Polícia Federal.

Ouvido na condição de testemunha, o ex-ministro disse que todos os canais de investigação foram abertos para apurar as denúncias e que as autoridades holandesas se negaram a cooperar. “A cooperação internacional não veio até hoje”, disse.

Em abril de 2015 o ex-diretor da SBM Jonathan Taylor acusou a Controladoria de segurar investigação sobre denúncia de que a empresa holandesa SBM Offshore pagou propina para fazer negócios com a Petrobrás. Taylor disse que prestou depoimento e entregou mil páginas de documentos internos da empresa à Controladoria entre agosto e outubro de 2014, mas o órgão só anunciou a abertura de processo contra a SBM em 12 de novembro, 17 dias após o 2.º turno da eleição presidencial.

Na época, os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da CGU, Valdir Simão, negaram que o governo tivesse tentado acobertar o pagamento de propina pela empresa holandesa. 

Hage também negou que as investigações só tenham começado em novembro do ano passado e informou que os trabalhos se iniciaram em fevereiro de 2014. “Não é verdade que a CGU tenha protelado o caso”, disse. O ex-ministro lembrou que Taylor foi acusado de tentar extorquir a SBM. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.