Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Haddad se reúne com vereadores do PMDB e cobra manutenção da aliança

Na conversa, Haddad disse admitir ainda um segundo cenário, no qual Chalita seria o candidato a prefeito e perguntou individualmente a cada vereador em quem cada um deles votaria no caso de uma disputa interna

Ricardo Galhardo, O Estado de S. Paulo

19 de agosto de 2015 | 17h47

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), entrou em campo nesta quarta-feira, 19, para tentar impedir o avanço da senadora Marta Suplicy rumo a uma candidatura à prefeitura pelo PMDB.

Em reunião com os quatro vereadores da legenda, Haddad cobrou um posicionamento sobre a manutenção da aliança firmada no final do ano passado entre ele, o secretário de Educação, Gabriel Chalita (PMDB), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente, Michel Temer. 

Pelo acordo, Chalita iria para a secretaria e levaria o apoio do PMDB à reeleição de Haddad em 2016. O tempo de TV do PMDB, segunda maior bancada na Câmara dos Deputados, é fundamental para a estratégia do petista de aproveitar a campanha do ano que vem para tentar explicar os feitos do governo Haddad para a população e reverter a baixa aprovação a seu mandato. 

Haddad foi acompanhado de Chalita e do chefe de gabinete, Leonardo Barchini. Na conversa Haddad disse admitir ainda um segundo cenário, no qual Chalita seria o candidato a prefeito. A possibilidade também faz parte do acordo firmado com Lula e Temer e significaria uma repetição da estratégia vitoriosa em 2012, quando o peemedebista teve 14% dos votos e ficou em quarto lugar. 

Na conversa Haddad perguntou qual o posicionamento de cada vereador sobre a disputa do ano que vem. "Alguma coisa mudou?", teria perguntado o prefeito.

A resposta foi favorável ao secretário da Educação. 

 "O único candidato colocado hoje é o Chalita. O prefeito pediu a manutenção da aliança firmada no final do ano passado e demonstrou desconforto com a Marta", disse o líder do PMDB na Câmara Municipal, Nelo Rodolfo. 

O motivo, segundo fontes da Prefeitura, seriam os "métodos políticos" da senadora. Um petista classificou a estratégia como "redução de danos", já que Marta, ex-petista e ex-prefeita, pode tirar muitos votos do prefeito na periferia da cidade, ao contrário de Chalita, cuja votação está concentrada na classe média. 

Na semana passada Marta fechou um acordo com Temer no qual o PMDB aceita sua filiação mas sem garantias de que será candidata a prefeita. Pelo acordo, ela terá que construir a candidatura, cavar seu próprio espaço no novo partido e, se for o caso, disputar a indicação com Chalita. 

No início de agosto a executiva municipal do PMDB aprovou uma indicação para que o partido tenha candidato próprio à sucessão em São Paulo. A decisão final será tomada apenas em junho do ano que vem, na convenção partidária.

No domingo, constrangido pelo fato de o acordo ter vazado para a imprensa antes de ser comunicado ao prefeito e ao PMDB, Temer chamou Haddad e Chalita para uma conversa em sua casa, em São Paulo. O vice-presidente disse que, se fosse o caso, Haddad poderia dispor a qualquer momento dos cargos ocupados por peemedebistas. O partido controla hoje quatro subprefeituras e cinco secretarias, uma delas ocupada por Luciana Temer, filha do vice-presidente.

Na segunda-feira Chalita também havia conversado com os vereadores do partido. Nesta quinta eles serão recebidos por Marta em um jantar. 

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