Haddad promete R$ 20 bi em obras com ajuda de Dilma

Sem Lula, petista lança plano de governo com críticas ao PSDB e marca de desenvolvimento criada pelo marqueteiro João Santana

Bruno Lupion e Fernando Gallo, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2012 | 03h06

O candidato petista à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, apresentou nessa segunda-feira, 13, seu plano de governo. O mote é o redesenho do "modelo de desenvolvimento urbano" da cidade. Uma das principais promessas é investir R$ 20 bilhões em obras públicas com a ajuda do governo da também petista Dilma Rousseff. O plano prevê a revisão das operações urbanas - parte delas proposta na gestão Marta Suplicy (PT) - que hoje são defendidas pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD) e pelo tucano José Serra.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi convidado, mas decidiu, após consultar integrantes do Instituto Lula, não comparecer para não ofuscar a apresentação do plano do seu pupilo.

O Arco do Futuro, nome dado pelo marqueteiro João Santana, é a vedete do plano apresentado nessa segunda. Trata-se de um eixo ao longo do qual os petistas querem distribuir novas oportunidades de trabalho e lazer na cidade. Ele se inicia na Avenida Cupecê, zona sul, na divisa com Diadema, sobe pela Marginal dos Pinheiros, percorre a do Tietê e corta a zona leste pela Avenida Jacu Pêssego.

Com a proposta, o PT tenta vender a ideia de que nem a atual gestão nem o PSDB têm visão de longo prazo para a capital. "A cidade sofre por não ter horizonte e pela incapacidade dos tucanos de apresentar uma visão de futuro", afirmou o coordenador da campanha, Antonio Donato.

Serra não quis comentar o plano de Haddad, mas um de seus coordenadores, Orlando Morando, disse ver "pirotecnia" na proposta do Arco do Futuro.

De acordo com a campanha petista, o custo de R$ 20 bilhões - quase metade do atual orçamento da Prefeitura, que é de R$ 38,7 bilhões - em quatro anos seria dividido com o governo federal, que entraria com recursos próprios, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outras fontes.

"Temos apoio federal (para o plano)", afirmou Haddad. "Isso foi pactuado previamente. O pressuposto da minha candidatura é uma forte parceria com o governo federal."

'Revisão'. De acordo com o plano, três operações urbanas em curso (Brás-Lapa, Mooca-Vila Carioca e Vila Sônia), além do Projeto Nova Luz, serão revistos "sob novas diretrizes".No PT, o Arco do Futuro é visto como uma "grande operação urbana".

Para colocá-lo em prática, Haddad promete, além de reduzir ISS e IPTU - que, isoladamente, se mostrou uma política insuficiente para descentralizar a oferta de empregos tanto na gestão Marta quanto na Kassab -, isentar empreiteiros da outorga onerosa e inaugurar equipamentos públicos de educação, saúde, cultura e lazer.

A gestão Kassab apostou na criação de cinco operações urbanas para adensar espaços vazios e próximos da rede de transporte de massa, como a Mooca, a Vila Sônia e a Lapa - a fim de reduzir a necessidade de deslocamentos e, em consequência, diminuir os congestionamentos.

Esses três bairros têm hoje planos de revitalização em curso na Prefeitura, que também planeja levar 15 mil moradores e comerciantes para a região conhecida como cracolândia. Batizado de Nova Luz, o projeto custou R$ 14 milhões. Os planos em curso, porém, ainda não saíram do papel.

Os petistas reconhecem a necessidade do marketing eleitoral para trocar o abstrato conceito da proposta em miúdos. No programa eleitoral de TV e rádio que estreia no dia 21, Santana apresentará Haddad como "formulador que entrega aquilo com que se compromete". O ex-ministro aparecerá como responsável por implantar o que previa o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) e o candidato tornará realidade o Arco do Futuro.

Especialidades. Haddad também quer mexer nas Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs), outra bandeira de Serra e Kassab. A ideia é colocar as AMAs Especialidades em uma rede de mini-hospitais por subprefeitura. As pessoas poderiam se consultar com um especialista, fazer exames e passar por cirurgias simples. / COLABORARAM DIEGO ZANCHETTA, GUILHERME WALTENBERG e RODRIGO BRUGARELLI

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