Haddad liga alvarás a templos a suspeitas na Habitação

O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou ontem que a concessão de alvarás para permitir a construção e a ampliação de templos religiosos contestados pelo Ministério Público revela "falta de comando e transparência" da administração do prefeito Gilberto Kassab (PSD).

BRUNO BOGHOSSIAN, BRUNO LUPION E RICARDO CHAPOLA, Agência Estado

21 de agosto de 2012 | 09h05

O petista relacionou o caso às denúncias contra o ex-diretor do Departamento de Aprovações (Aprov) da Prefeitura, Hussain Aref Saab, investigado pelo MP por acumular mais de 116 imóveis nos sete anos em que chefiou o órgão.

"Nada é novidade nesse governo, a Prefeitura está sem comando", afirmou Haddad. "Veja o que aconteceu na Secretaria de Habitação, com o caso Aref, e o prefeito nem sequer substituiu o secretário depois de um dos maiores escândalos da cidade", disse.

Reportagem do Estado de ontem revelou que Kassab busca para o candidato José Serra (PSDB) o apoio de líderes evangélicos beneficiados por atos de sua gestão, alguns dos quais sob a mira do Ministério Público.

O candidato do PRB, Celso Russomanno, também acusou Kassab de uso político da máquina ao fazer concessões às igrejas somente no período eleitoral. Entre os evangélicos, Russomanno é o candidato mais bem avaliado, segundo as últimas pesquisas de intenção de voto: ele supera o tucano José Serra por 31% a 27% das intenções de voto.

"Está chegando perto das eleições e o comportamento muda, não é assim que tem que ser. A gente tem que ter um comportamento o tempo todo com ética, com decência, com seriedade sempre", disparou.

Ontem, Serra disse que a contestação feita pelo MP sobre os alvarás concedidos pela gestão Kassab é "normal". "O que é que o Ministério Público não contesta? Se você dá licença, contesta. Se você não dá licença, contesta. Tem que ver sempre o que há de verdade e, quando for verdadeiro, seguir a recomendação", disse.

O tucano afirmou que pretende tratar os pedidos de licenciamento de igrejas "de uma maneira normal, não demagógica e realista". Ele acredita que templos irregulares que não colocaram em risco a vida de seus frequentadores podem manter as portas abertas por um prazo limitado, enquanto buscarem as adaptações necessárias.

A Prefeitura informou, por meio de nota, que a concessão de alvarás para templos religiosos atende a questões "estritamente técnicas" e não sofre nenhum tipo de influência política. Em relação à transparência na concessão de alvarás, a Prefeitura afirma ter investido R$ 15 milhões no habite-se eletrônico e diz que o sistema já está em funcionamento. Também informou que as investigações sobre Aref foram iniciadas por determinação de Kassab a partir de uma denúncia anônima e colabora com o MP na apuração dos fatos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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