Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE

Haddad investe sobre eleitorado de Russomanno

Petista diminui ataques a Serra e aposta em crescimento na reta final da disputa

Bruno Lupion, de O Estado de S. Paulo

25 de setembro de 2012 | 19h43

O candidato do PT para a Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, voltou a atacar nesta terça-feira, 25, a suposta falta de propostas do líder nas pesquisas, Celso Russomanno (PRB).

O petista chamou de "simulacro" o plano de governo apresentado pelo adversário durante debate na TV Gazeta, na segunda-feira, 24, e duvidou da capacidade de Russomanno manter até o dia da votação, em 7 de outubro, as altas intenções de voto registradas pelas pesquisas - Russomanno tem 34%, contra 18% de Haddad e 17% de José Serra (PSDB), segundo pesquisa Ibope divulgada nesta terça.

"Dificilmente, ao final da campanha, o eleitorado vai deixar de exigir propostas concretas para a cidade. E o Russomanno não tem meta para nada", afirmou, após caminhada em Itaim Paulista, zona leste da capital. "Para mudar uma cidade como a nossa, você precisa de plano de governo e força política, e ele (Russomanno) não tem nenhum dois dois", disse.

Em contrapartida, nos seus eventos de campanha, o petista tem diminuído o volume de ataques ao advesário tucano, José Serra, que costumava fustigar com frequência.

Haddad aposta no crescimento de sua candidatura na reta final das eleições, em cima das intenções de voto de Russomanno. Argumenta que 38% da população ainda não assistiu ao programa eleitoral, segundo levantamento interno do PT, e que a cidade de São Paulo está "morna" em relação à disputa eleitoral. "Mas vai incendiar, porque chegará o dia da eleição, e temos o melhor programa de governo", diz.

A artilharia petista contra Russomanno estreou no último final de semana, com inserções da propaganda eleitoral na televisão comparando o líder nas pesquisas ao ex-prefeito Celso Pitta (1997-2000) e questionando sua proposta de instituir a tarifa proporcional do ônibus, na qual o usuário pagaria um valor proporcional ao trajeto percorrido. No debate da TV Gazeta, Haddad seguiu a estratégia e escolheu Russomanno como alvo preferencial.

As críticas ao líder nas pesquisas vieram após semanas de indefinição na campanha petista sobre o momento e a forma adequada para atacar Russomanno, filiado a um partido da base aliada do governo Dilma Rousseff. Na segunda-feira, o ex-ministro José Dirceu chegou a apontar, em seu blog, "erro de estratégia" na campanha de Haddad, em função da suposta demora para questionar a candidatura de Russomanno. Segundo Dirceu, centrar a disputa com Serra "era coisa de três a quatro semanas atrás, quando era necessário desestabilizar sua ida para o segundo turno".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.