Alex Silva|Estadão
Alex Silva|Estadão

Haddad ganha força para presidir PT

Prefeito derrotado em SP é visto como nome de consenso para acabar com racha entre correntes; ele nega ter conhecimento de proposta

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2016 | 06h00

BRASÍLIA - O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, passou a ser visto no PT como solução para presidir o partido, no próximo ano, e acabar com o racha que marca as discussões sobre a troca da cúpula. O nome tem a simpatia do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, das tendências de esquerda e de parte expressiva da corrente majoritária, Construindo um Novo Brasil (CNB).

Haddad perdeu a eleição para João Doria (PSDB) e o PT amargou sua maior derrota desde 1992 na capital paulista. Nos bastidores, dirigentes da sigla ligados à CNB culparam o estilo do prefeito pelo revés, mas agora ele é citado no Instituto Lula como um dos poucos capazes de unificar o partido, que vive a maior crise dos seus 36 anos.

A ideia de lançar Haddad para a presidência do PT está sendo mantida em sigilo, sob a alegação de que, se o plano “vazar”, o prefeito começará a receber ataques de todos os lados. Em conversas reservadas, Lula disse que só vai tratar dessa possível candidatura após o segundo turno das eleições.

“Ninguém falou nada comigo sobre isso”, afirmou o prefeito, por meio de sua assessoria de imprensa. Ex-ministro da Educação e integrante da corrente Mensagem ao Partido, que prega mudanças radicais no PT, Haddad tem defendido autocrítica da legenda desde o mensalão, em 2005. 

Após a derrota para Doria, houve até quem achasse que ele poderia deixar o partido, mas a hipótese foi rechaçada. Amigos do prefeito, porém, não querem vê-lo no comando do PT. “O Fernando não sabe fazer inventário”, ironizou um deles, em uma referência às previsões sobre o fim da sigla.

A disputa pelo comando do partido tem acirrado as divergências entre as correntes. O mandato da atual direção acabaria em novembro de 2017, mas será antecipado diante do agravamento da crise do PT.

Até agora, a CNB quer que a nova cúpula seja escolhida em abril ou maio de 2017 por meio do processo de eleição com filiados. O outro campo, capitaneado pelo grupo “Muda PT” – que abriga cinco correntes de esquerda, entre elas a Mensagem ao Partido – exige um congresso ainda neste ano para eleger os dirigentes, fazer um balanço dos erros e atualizar o programa.

Consenso. Lula avalia que Haddad pode pacificar o PT e ser o nome de consenso, evitando disputas. “Esse modelo de polarização entre dois campos engessa e mata o debate”, disse o deputado federal José Guimarães (CE), integrante da CNB. “O PT vai fazer o quê? Vai se engalfinhar na luta interna sem visão estratégica de futuro? Não dá para ficar nessa briga do poder pelo poder. É um péssimo caminho.”

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