Helvio Romero/Estadão - 16/10/2018
Helvio Romero/Estadão - 16/10/2018

Haddad e líderes do PT encontram Kalil em Minas e pedem apoio à oposição

Após Lula pedir 'bloco na rua', ex-ministro da Educação faz giro pelo País; prefeito de BH diz que reunião foi cordial e não discutiu eleições

Leonardo Augusto, especial para o Estadão

25 de fevereiro de 2021 | 21h53

Em uma tentativa de aproximação com o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), integrantes da cúpula do PT desembarcaram em Minas Gerais para uma reunião nesta quinta-feira, 25. A agenda ocorre enquanto o ex-ministro Fernando Haddad, candidato à Presidência derrotado em 2018, inicia um giro nacional após o presidente Luís Inácio Lula da Silva pedir que ele colocasse “o bloco na rua”

O ex-ministro é considerado potencial candidato na disputa presidencial de 2022 caso Lula não consiga recuperar seus direitos políticos. 

Haddad e Kalil disseram que a intenção do encontro não era discutir alianças eleitorais, e sim uma pauta em comum de oposição a propostas do governo federal. “Viemos pedir que (Kalil) considere as propostas do PT no plano federal para impedir o desmonte do Estado brasileiro”, disse Haddad. 

Na reunião, segundo o prefeito, eles discordaram em ao menos um ponto. Kalil relatou que a visita foi “cordial”, mas fez questão de frisar que não concorda com a posição do PT sobre a autonomia formal do Banco Central, aprovada há duas semanas na Câmara dos Deputados. 

“Nós concordamos e discordamos. Eles são contra o Banco Central ser independente. Eu disse aqui, claramente, eu sou a favor”, pontuou. Ele evitou se posicionar sobre eventuais alianças eleitorais e disse que recebe lideranças de diferentes correntes políticas. “Não adianta quererem me rotular. Quem quiser vir (à prefeitura), vai ser muito bem vindo”, afirmou. 

O encontro também teve a presença da presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann, o ex-secretário-geral da Presidência Luiz Dulci e o ex-governador Fernando Pimentel. Haddad diz que tem conversado com pessoas “que tenham contribuição para projeto alternativo” para o país. “Não é Minas. O Brasil precisa se proteger do Bolsonaro”, disse o ex-ministro. 

Estratégia

A escolha de Minas para dar início um giro nacional tem relação com o desempenho eleitoral do PT. O partido perdeu terreno nas eleições de 2020, mas nos municípios mineiros teve um desempenho melhor: venceu a disputa em duas das três maiores cidades do interior. 

Ganhou em Contagem, com Marília Campos, e em Juiz de Fora, a terceira maior do interior, com Margarida Salomão. Juntas, as duas cidades somam cerca de 1,2 milhão de habitantes. A maior cidade no interior do estado é Uberlândia, comandada por Odelmo Leão (PP).

Ex-presidente do Clube Atlético Mineiro, Alexandre Kalil era um outsider na política quando concorreu pela primeira vez e venceu a disputa pela prefeitura da capital mineira em 2016. Hoje é uma das principais lideranças políticas no Estado. Disputou a reeleição no ano passado. ganhou em primeiro turno e agora é cotado para disputar o governo de Minas no ano que vem.

O prefeito tem abrigado representantes de várias correntes políticas em sua administração. A secretária municipal de Políticas Urbanas, Maria Caldas, por exemplo, trabalhou com Haddad na Prefeitura de São Paulo. O vice-prefeito, Fuad Noman, que foi secretário de Fazenda no primeiro mandato, foi secretário estadual durante o governo de Aécio Neves (PSDB) em Minas.

Em janeiro deste ano, Kalil também recebeu o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que estava em campanha pela presidência do Senado, para fechar o apoio do PSD à candidatura. O encontro contou com a presença do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. O partido tem a segunda maior bancada no Senado, com 11 parlamentares. Em 2018, Kalil declarou a Ciro Gomes (PDT) na disputa presidencial. 

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