Haddad diz que, se eleito, renegociará dívida de São Paulo com a União

Débito foi negociado durante a gestão Pitta e hoje corresponde a 13% do orçamento da Prefeitura

Daiene Cardoso e Beatriz Bulla, da Agência Estado,

09 de abril de 2012 | 18h53

SÃO PAULO - O pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, disse nesta segunda-feira, 9, que, se eleito, vai renegociar a dívida do município com a União, que hoje corresponde a 13% do orçamento da Prefeitura, independentemente da mudança no indexador da dívida, proposta que vem sendo discutida em Brasília pelos líderes no Senado Federal e os ministérios da Fazenda e das Relações Institucionais. "Nós vamos nos sentar com a Fazenda para repactuar isso, sobretudo se houver disposição do governo federal. E há (disposição)", afirmou.

Haddad lembrou que na época em que a renegociação foi feita, durante a gestão Celso Pitta, o PT já era contrário ao acordo. "Nós vislumbramos que a situação agravaria o problema do município." Segundo ele, contudo, a dívida não pode ser usada como justificativa para o baixo investimento na cidade e disse: "O Rio de Janeiro investe mais, tendo metade do orçamento de São Paulo."

Além de defender a repactuação da dívida do município, o pré-candidato falou que está confiante em uma aliança com o PSB. "Nós temos projetos semelhantes, tanto no plano nacional quanto no plano local". O PSB negocia com o PT a possibilidade de uma aliança na capital, neste pleito, Para isso, lideranças dos partidos discutem a possibilidade de dividirem o mesmo palanque em outras cidades.

Cidade Ademar. Poucas horas após o encontro nesta segunda-feira entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), Haddad criticou o descaso da Prefeitura na administração e convocou a militância para acabar com a era José Serra/Kassab na cidade. "Temos que por fim à gestão Serra/Kassab. Este ciclo tem que acabar", disse o pré-candidato, após visita à região da Cidade Ademar, na zona sul da capital.

Aos militantes da região, o petista lamentou o fato de seu partido ter governado a capital paulista por apenas quatro anos - nas gestões Marta Suplicy e Luisa Erundina. Para ele, a sigla não teve "tempo suficiente para ganhar São Paulo". "Há um pêndulo muito desfavorável a nós", disse o petista, referindo-se aos oito anos de gestão de seus adversários. Em seu discurso, Haddad deixou claro que vencer as eleições de outubro é prioridade absoluta do partido. "Vamos ganhar mais que as eleições, vamos ganhar São Paulo", afirmou.

Cidade Ademar é o 14° bairro que o pré-candidato visita desde fevereiro. A ideia do partido é que ele "gaste sola de sapato" percorrendo a cidade e conhecendo os seus problemas. O objetivo também é fazer com que Haddad se aproxime mais da militância e se torne mais conhecido dentro do próprio partido, já que a TV é tida como único meio capaz de projetá-lo ao eleitorado em geral.

Durante suas visitas, o pré-candidato costuma atacar a gestão do atual prefeito, que há dois meses chegou a flertar com o PT. Haddad reclamou da lentidão da atual gestão em solucionar os principais problemas da cidade, entre eles a questão do transporte público. "Dia 31 de dezembro vai acabar este descaso com o município", disse aos militantes.

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