André Lessa/AE
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Haddad diz que Russomanno é candidato sem termo de garantia

Petista volta a criticar candidato do PRB por não ter apresentado um programa de governo

Bruno Lupion, de O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2012 | 16h47

O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, voltou a explorar nesta segunda-feira, 24, o que considera ser o ponto fraco do líder nas pesquisas, Celso Russomanno (PRB): a falta de um programa de governo detalhado.

Durante visita ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), no Canindé, zona leste, Haddad afirmou que a candidatura de Russomanno equivale a um produto sem manual de instruções e termo de garantia, referindo-se à história de seu adversário como apresentador de programas de defesa do consumidor.

"O plano de governo é o manual de instruções e o termo de garantia do candidato e o Russomanno, pela sua trajetória, deveria ter sido o primeiro a apresentar seu plano. É contraditório ele, que diz defender o consumidor, na posição de candidato não apresentar seu plano de governo", disse.

Haddad voltou a comparar o voto em Russomanno a um "salto no escuro" e à eleição de Celso Pitta (1997-2000), político lançado por Paulo Maluf, que hoje apoia o petista. "O Pitta também não tinha plano de governo", afirmou.

Assim como o candidato tucano, José Serra, Russomanno protocolou somente linhas gerais de seu plano de governo junto à Justiça Eleitoral, durante o ato de registro da candidatura. Haddad apresentou seu programa de governo em um evento com pompa em 13 de agosto - o documento, com 124 páginas, teve a colaboração de cerca de 500 pessoas, segundo o petista.

Apesar de acusar Russomanno de falta de projeto, Haddad começou a explorar na propaganda eleitoral de televisão uma das propostas protocoladas pelo candidato do PRB na Justiça Eleitoral. A campanha petista pinçou uma dessas promessas - instituir a tarifa proporcional do ônibus, na qual o usuário pagaria um valor proporcional ao trajeto percorrido - para afirmar que "quem mora longa vai pagar mais do que quem mora perto".

Nesta segunda, Russomanno rebateu a propaganda petista e disse que o teto para a tarifa será R$ 3, valor pago atualmente pelos usuários. "Agora estão fazendo uma campanha contra mim pelo que falei, de que aqui a gente vai pagar pelo percurso. O maior percurso vai custar R$ 3. O maior já custa R$ 3. É justo que uma pessoa que ande dois pontos pague o mesmo valor que uma pessoa que atravessa a cidade?", perguntou. "Isso é mentira. Eles estão mentindo descaradamente, e isso é desespero", disse. O candidato do PRB não informou qual seria o custo do sistema de tarifa proporcional para o Orçamento da Prefeitura.

Goteira. Durante a visita ao IFSP, Haddad foi abordado por três estudantes que o reconheceram como ex-ministro da Educação do governo Luiz Inácio Lula da Silva e fizeram críticas à infraestrutura do prédio.

Yann Righas, 16 anos, aluno do 3º ano do ensino médio integral, reclamou de goteiras na sala de aula. "Já chegamos a fazer prova com guarda-chuva, de tanto que pinga na sala de aula. E quando chove o corredor fica encharcado", afirmou, mostrando foto tirada com o celular dos alunos se protegendo com guarda-chuvas dentro da sala.

Haddad agradeceu ao trio pelo relato e disse que encaminharia as críticas. "Se eu soubesse que ele vinha para cá, tinha feito uma lista dos problemas. Também há equipamentos quebrados na aula de eletrotécnica e falta uma cantina", disse à reportagem Lucas Camargo, 17 anos.

Promessas. O petista afirmou que, se eleito, fará uma nova unidade do IFSP na zona norte da capital, trará um campus da Universidade Federal de São Paulo para a zona leste e construirá 31 polos da Universidade Aberta do Brasil - centros de formação de professores da escola pública.

Ele ainda criticou a baixa nota auferida pelo município de São Paulo no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e disse que já há terrenos previstos para a construção do IFSP na zona norte e da universidade federal na zona leste, mas faltaria apoio da Prefeitura para desapropriá-los. "O governo federal aguarda há três anos a desapropriação (pela Prefeitura) da fábrica Gazarra, na zona leste, e há um ano e meio a desapropriação de um terreno na zona norte", disse. / COLABOROU RICARDO CHAPOLA

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