Felipe Rau/AE
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Haddad diz que Dilma vai entrar em sua campanha a partir de setembro

Candidato rebateu críticas de Serra ao bilhete mensal e disse que vai acabar com taxa da inspeção veicular

Cristiane Salgado Nunes - O Estado de S. Paulo,

30 de agosto de 2012 | 17h46

Em entrevista à TV Estadão, nesta quinta-feira, 30, o candidato petista à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou que a presidente Dilma Rousseff vai entrar em sua campanha a partir de setembro, mas não garante participação de atos públicos devido à sua agenda: "Ela tem o Brasil para governar". Haddad ainda declarou que vai acabar com a taxa de inspeção veicular da Controlar. "Vou acabar com essa taxa porque é ridícula em vários aspectos. Eles (prefeitura) enganaram a população, disseram que a taxa seria devolvida e não foi". O candidato defendeu o ensino em tempo integral nas escolas públicas e rebateu as críticas feitas por seus adversários à proposta de bilhete único mensal: "O Serra defende a Controlar que não existe em nenhum lugar do mundo dessa maneira e critica o bilhete mensal que funciona em várias cidades do mundo. Qual o sentido disso?".

O petista ainda comparou a taxa da inspeção veicular com a taxa do lixo, criada durante a gestão de Marta Suplicy. "Houve uma troca da taxa do lixo pela do carro, que é mil vezes pior". Haddad foi secretário de Finanças durante a administração e explicou que a criação do tributo foi um pedido da prefeitura. "Houve uma encomenda do gabinete da prefeita de aumentar a arrecadação e executamos".

Haddad contou que a ideia de sua candidatura partiu do ex-presidente Lula e que antes não cogitava participar de eleições. "Ele me chamou, disse que o Brasil e o PT precisavam de uma renovação política". O candidato garantiu a participação de Lula na campanha de rua, mas com algumas restrições: "Andar de carro aberto com ele não dá, por causa da saúde", e acrescentou que Marta também vai "gastar sola de sapato com ele se for preciso". Quando questionado se convidaria Paulo Maluf para subir ao palanque, o postulante desconversou, respondendo que o PP também está aliado ao governo do estado de São Paulo.

 

Sobre as pesquisas de intenção de voto, Haddad comemorou seu crescimento e afirmou que é cedo para prever um resultado mas que "algumas surpresas estão acontecendo e que com segurança estaremos no 2ª turno". Haddad falou que a participação de Marta irá fazer diferença em sua campanha porque ela é "lembrada com carinho na periferia". O petista disse que pretende fortalecer sua imagem nas regiões centrais da cidade, onde predomina o eleitorado classe média, já que este também é o seu perfil: "Moro no mesmo apartamento na Vila Mariana há 20 anos, trabalhei em loja na 25 de Março, me formei na USP em Direito, sou professor em Ciência Política".

Quebra de sigilo médico. Haddad afirmou que a Prefeitura deveria pedir desculpas ao caminhoneiro José Machado pela quebra de sigilo médico. "Ele foi informado pela Prefeitura que tinha catarata. Agora, a Prefeitura está mudando o diagnóstico que deu a ele. Se houve um erro de diagnóstico, aconteceu um duplo erro, de diagnosticar e depois de quebrar o sigilo". Machado, apareceu na propaganda eleitoral do petista, dizendo que esperava há dois anos por uma cirurgia de catarata na rede municipal.

Propostas. Haddad alegou que os seus rivais estão atacando o bilhete mensal porque é uma boa proposta. "Eles (candidatos) sentiram o golpe, a proposta é boa. Ninguém vai ser obrigado a pagar se preferir ficar com o bilhete de 3 horas". O candidato ainda ressaltou que o bilhete é adotado em várias cidades do mundo: "Por que funciona em Paris e não pode funcionar aqui?", questionou.

Para melhorar a mobilidade urbana, o petista propôs a construção de 150 km de corredores novos para ônibus e criticou a gestão do prefeito Gilberto Kassab no transporte. "A velocidade dos ônibus está caindo e os custos aumentando. O transporte não recebeu nenhuma atenção da prefeitura".

Na educação, o candidato defendeu o ensino em tempo integral e traçou a meta de migrar 100 mil crianças para o período dentro de 1 ano. Durante sua gestão como ministro da Educação, Haddad ressaltou seus feitos, como a criação do Ideb e do ProUni, e ponderou, que a apesar dos problemas na aplicação da prova do Enem, "nenhum funcionário público estava envolvido". O candidato ainda prometeu a criação de 20 novos CEUs.

Mensalão. Haddad afirmou que a condenação do deputado petista João Paulo Cunha no julgamento do mensalão não afeta sua candidatura porque nunca se envolveu com escândalos. "Eu estou há anos no serviço público e nunca houve no jornal qualquer insinuação da minha conduta. No PSDB tem parlamentares respondendo a vários processos também", alfinetou.

Próximo entrevistado. O candidato do PSDB, José Serra, foi convidado para ser entrevistado pela TV Estadão, nesta sexta-feira, 30, mas não confirmou presença.

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