Helvio Romero/AE
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Haddad diz que compreenderá se Dilma preferir ficar neutra nas eleições em SP

Para petista, presidente pode 'colocar interesses do governo federal acima de questões locais'

Isadora Peron, de O Estado de S. Paulo,

19 de março de 2012 | 20h12

SÃO PAULO - O pré-candidato à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, disse nesta segunda-feira, 19, que irá respeitar caso a presidente Dilma Rousseff decida permanecer neutra durante a campanha para as eleições municipais deste ano, uma vez que o petista concorre com pré-candidatos de legendas que compõem a base aliada do governo federal. "Eu vou acatar a decisão que ela tomar por compreender que a primeira mandatária do País tem uma dinâmica de colocar os interesses do governo federal acima de questões locais."

Em visita a bairros da zona norte da cidade, ele também afirmou que não vai se encontrar esta semana com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pois ele ainda se recupera do tratamento contra um câncer na laringe.

Segundo Haddad, a última vez que conversou com Lula foi na semana passada, mas disse que tem recebido notícias do ex-presidente através de outros petistas, como o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, e o ministro da Educação, Aloizio Mercadante. "Nós não ligamos diariamente para o presidente, vamos nos revezando para não incomodá-lo", disse.

Haddad afirmou ainda que não participará do encontro que Lula terá com o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, que deve acontecer na semana que vem. Na pauta, um possível apoio dos socialistas a sua pré-candidatura.

Alianças. O pré-candidato petista disse nesta segunda que tem conversado pessoalmente e por telefone com dirigentes de vários partidos, mas que, apesar disso, a percepção que tem é que as alianças não serão fechadas neste momento. Até agora nenhum partido declarou apoio ao PT. "Nós precisamos aguardar os acontecimentos e manter o diálogo vivo com esses partidos para verificar a possibilidade de aliança para o primeiro turno (das eleições municipais). Os partidos têm pedido mais tempo e mais diálogo e nós temos que respeitar isso", disse.

A demora para definir o quadro de alianças têm preocupado os petistas. Segundo o presidente municipal da sigla, Antonio Donato, pelo PT as parcerias seriam fechadas "hoje", mas essa é uma situação que não deve se resolver antes de junho.

A crise na base aliada do governo federal é um dos fatores que atrasa as negociações. Na semana passada, o PR anunciou que faria oposição ao governo Dilma no Senado. Já o PDT espera retomar o comando do Ministério do Trabalho para voltar discutir a questão na capital paulista.

Conforme o Estado revelou nesta segunda, a presidente Dilma pretende nomear nos próximos dias o deputado Brizola Neto (RJ) para a pasta. A indicação, nesse momento, teria o objetivo de acalmar os ânimos do PDT, que ameaça apoiar o provável candidato do PSDB à Prefeitura, José Serra, embora o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, tenha entrado na corrida paulistana.

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