Paulo Liebert/AE
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Haddad diz que adversários querem trazer uma 'guerra santa' para SP

Petista insinua que coordenador da campanha de Russomanno não tem clareza sobre o Estado laico

Bruno Lupion, de O Estado de S. Paulo - Texto corrigido às 20h

14 de setembro de 2012 | 18h58

O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira, 14, que seus adversários tentam trazer uma "guerra santa" para a capital paulista, estimulando uma cultura de intolerância religiosa que não teria raízes na história brasileira.

"Me parece um equívoco grave que alguns dirigentes de partido introduzam no debate político um debate doutrinário que é próprio das igrejas fazerem com seus fiéis. Não é no debate eleitoral que alguém deve buscar adeptos para a sua igreja. Vamos deixar de lado esse pessoal que quer trazer para o Brasil o que o Brasil desconhece e não quer conhecer, que é a guerra religiosa", disse, após visita a uma casa de idosos em Ermelino Matarazzo, zona leste.

Na quinta-feira, 13, a Arquidiocese de São Paulo, entidade máxima da Igreja Católica na capital, divulgou nota de repúdio a um texto do pastor Marcos Pereira, presidente nacional do PRB e coordenador de campanha de Celso Russomanno (PRB). O artigo havia sido publicado no blog de Pereira em maio do ano passado, mas voltou a circular com força nas redes sociais na última semana.

Nele, Pereira afirma que a Igreja Católica tem o "controle das ações do governo, seja federal, estadual ou municipal" e responsabiliza indiretamente a instituição pela tentativa de distribur em escolas brasileiras o chamado "kit gay", material didático de combate à homofobia criado quando Haddad estava à frente do Ministério da Educação. "Estamos vivendo a política da catequização da Igreja de Roma e, por isso, certamente, estamos vivendo os últimos dias", diz o artigo de Pereira. "Simplesmente nos impõem a ditadura das minorias."

O petista insinuou que Pereira não tem clareza sobre o princípio do Estado laico, um dos fundamentos da República brasileira. "Se a pessoa não tem clareza desse princípio, se não tem formação democrática nessa direção, ela vai cometer equívocos", alertou. "O Estado laico implica em combate à intolerância religiosa, e não o contrário", disse.

Para ilustrar sua opinião, Haddad citou a história de seu pai, que emigrou do Líbano nos anos 40 por pertencer a uma minoria cristã que não se sentia acolhida. "Aqui, judeus, muçulmanos e cristãos convivem normalmente. Por que vamos introduzir no Brasil a cultura do conflito, se não temos esse histórico?", questionou.

Descoordenação. Mais tarde, durante sabatina promovida pela Record News e portal R7, Haddad dirigiu críticas ao seu adversário tucano, José Serra, que na véspera havia dito que a presidente Dilma Rousseff (PT) não deveria "meter o bico" em São Paulo. Para o petista, Serra enfrenta "um grau de descoordenação de ideias muito grande".

"Ele foi muito deselegante. Como é que o candidato a prefeito da maior cidade do País fala assim com a presidenta? Você não pode falar isso. É a mesma coisa que eu usar termos ofensivos contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso", disse.

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