Haddad dá aval e Chalita negocia com PDT

O prefeito Fernando Haddad (PT) iniciou uma negociação com o secretário de Educação, Gabriel Chalita (PMDB), para que o peemedebista troque de legenda e vá para o PDT. O objetivo é tentar manter o projeto de ter o aliado como vice de sua chapa no ano que vem, quando o petista vai disputar a reeleição. O PDT passou a fazer parte da base de Haddad em São Paulo em 2013, ano em que o deputado Paulinho da Força criou o Solidariedade e levou consigo quadros do partido.

O Estado de S.Paulo

29 Novembro 2015 | 02h02

As conversas de Chalita com o PDT começaram após a chegada da senadora Marta Suplicy, em setembro. A filiação da ex-petista ao PMDB tirou espaço do secretário e fortaleceu a ala do partido que defende o lançamento de candidatura própria à Prefeitura em 2016 e o rompimento com Haddad.

Ao tomar posse na Prefeitura, em 2013, o petista nomeou duas secretarias ligadas ao PMDB - Luciana Temer, filha do vice-presidente Michel Temer, e Marianne Pinotti, que havia disputado a vice na chapa de Chalita. Um acerto entre Temer, que também é presidente nacional do PMDB, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva previa a parceria dos dois partidos com vistas à reeleição de Haddad, mas o acordo já é considerado caduco.

Espaço. O PMDB comanda atualmente três secretarias na gestão Haddad - Educação, Pessoa com Deficiência e Assistência Social. Esta última é comandada desde o início da gestão pela filha de Temer. Luciana é próxima de Haddad e defende a continuação da aliança dos peemedebistas com o prefeito.

Apesar de também já ter defendido a aliança, hoje Chalita manifesta interesse em ser candidato pelo PMDB, para não perder ainda mais espaço interno no partido. Chalita e Marta chegaram a se reunir e teriam acertado que só falariam sobre a disputa à Prefeitura de São Paulo no começo do ano que vem.

Temer, por sua vez, tem dito que não há 100% de garantia de que o PMDB terá candidato próprio nem promessa a Marta de que ela poderá tentar o retorno ao Edifício Matarazzo, que passou a ser sede da Prefeitura no último ano da gestão da ex-petista.

No mês passado, durante uma palestra a estudantes da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, a senadora disse pela primeira vez publicamente que era a candidata do PMDB à Prefeitura. "Sim (me considero candidata). No PMDB, eu fui recebida muito bem. E eu vou ser candidata", afirmou a parlamentar na ocasião.

Temer também disse a aliados que a manutenção do PMDB no governo Haddad vai ser objeto de uma consulta interna no diretório. O objetivo é medir o interesse dos peemedebistas em permanecer na aliança com o PT na capital ou em lançar candidatura própria nas eleições de 2016. Caso vença a ala que defende o voo solo no ano que vem, Marta terá de disputar a vaga de candidato com outros eventuais pré-candidatos. Atualmente, o único nome do PMDB que manifestou interesse é Chalita.

Reuniões. A senadora conta hoje com apoio da maioria dos deputados estaduais do PMDB. Marta tem feito encontros com parlamentares da legenda para garantir apoio à tese da candidatura própria. Em 2012, embora Chalita tenha ficado em quarto lugar na disputa pela Prefeitura, o lançamento da chapa ajudou o partido a reconquistar espaço na Câmara Municipal.

Deputados e vereadores do PMDB que defendem a ruptura com o PT avaliam que Chalita não tem representado o partido dentro do governo e reclamam que o peemedebista só nomeou aliados do prefeito Fernando Haddad para os cargos principais da Educação. / P.V. e RICARDO CHAPOLA

Mais conteúdo sobre:
O Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.