Haddad critica Serra no segundo bloco do debate

No segundo bloco do debate Estadão/TV Cultura/YouTube com os candidatos que disputam a Prefeitura de São Paulo, o petista Fernando Haddad criticou o tucano José Serra, lembrando que ele deixou a Prefeitura de São Paulo. Os dois candidatos estão tecnicamente empatados nas recentes pesquisas de intenção de voto. A crítica foi em resposta a uma pergunta de Soninha Francine (PPS) que o indagou sobre a razão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter escolhido seu nome em detrimento da senadora Marta Suplicy, recém escolhida para ministra da Cultura.

EQUIPE AE, Agência Estado

17 de setembro de 2012 | 23h09

Na resposta, Haddad alfinetou Serra: "Para não acontecer no Senado o que aconteceu na prefeitura de São Paulo", disse, numa referência indireta à renúncia de Serra ao executivo municipal. Ao explicar o fato de Marta ter deixando o Senado Federal para assumir o Ministério da Cultura, Haddad disse que mesmo como ministra, Marta não renunciou ao cargo e pode retomá-lo caso seu suplente não o exerça conforme o esperado.

Na tréplica, Soninha lembrou que Marta não havia concordado em entrar na campanha do petista, insinuando que a senadora só veio para São Paulo participar da campanha de Haddad quando recebeu um ministério no governo Dilma Rousseff. Além disso, a candidata do PPS citou a malfadada aliança entre o PT e o PP, de Paulo Maluf, afirmando que o PT defende essas condutas dizendo "isso é normal, todo mundo faz".

Neste momento, Haddad respondeu de forma incisiva: "Você (Soninha) deveria respeitar um pouco mais a prefeita. Você imaginar que ela segue ordens de chefe de partido é um descaso com sua própria biografia (de Marta)". "Marta Suplicy não é uma mulher que recebe ordens", cravou.

No desenrolar do debate, Haddad foi novamente questionado sobre o fato de Marta ter assumido o Ministério da Cultura praticamente ao mesmo tempo em que começou a participar de sua campanha, dessa vez por José Serra. A discussão começou quando Haddad se dirigiu a Serra dizendo que o tucano afirmou que a presidente Dilma Rousseff "não deveria ter metido o bico" em São Paulo.

Serra respondeu que a expressão é "comumente utilizada" e não tem conotação de agressividade. "A presidente Dilma e o Lula têm todo o direito de manifestar seu apoio. O que eu disse é que fazer mudança de Ministério, demitir a ministra da Cultura, convidar a Marta para assumir o Ministério da Cultura, em troca de apoiar sua candidatura. E isso não sou eu que estou dizendo, toda a imprensa, todos os comentaristas disseram a mesma coisa", disse, e completou: "Isso é usar o governo como propriedade privada". O tucano afirmou ainda que Marta não apoiava a candidatura de Haddad e não foi candidata porque o Lula "não deixou".

O petista contestou Serra dizendo que a declaração sobre Dilma foi feita antes da nomeação de Marta ao Ministério da Cultura. Haddad retrucou também dizendo que não cabe a Serra "questionar quem a presidenta coloca para compor sua equipe", porque ela tem 80% de aprovação e o tucano defende um partido com 80% de reprovação. O petista disse ainda que Serra estava sendo "extremamente deselegante" e que o tucano era deselegante inclusive com pessoas de seu próprio partido.

Serra respondeu a Haddad afirmando que a imprensa o questionou sobre o que pensava do apoio Dilma e Lula a Haddad e ele se manifestou. "Estou plenamente no meu direito de fazê-lo". Além disso, sobre rejeição à atual gestão, Serra citou que Gilberto Kassab foi procurado pelo PT para compor apoio à chapa de Haddad.

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