Haddad critica Serra no segundo bloco do debate

Os dois candidatos estão tecnicamente empatados nas recentes pesquisas de intenção de voto

Agência Estado,

17 de setembro de 2012 | 22h59

 

No segundo bloco do debate Estadão/TV Cultura/YouTube com os candidatos que disputam a Prefeitura de São Paulo, o petista Fernando Haddad criticou o tucano José Serra, lembrando que ele deixou a Prefeitura de São Paulo. Os dois candidatos estão tecnicamente empatados nas recentes pesquisas de intenção de voto. A crítica foi em resposta a uma pergunta de Soninha Francine (PPS) que o indagou sobre a razão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter escolhido seu nome em detrimento da senadora Marta Suplicy, recém escolhida para ministra da Cultura.

Na resposta, Haddad alfinetou Serra: "Para não acontecer no Senado o que aconteceu na prefeitura de São Paulo", disse, numa referência indireta à renúncia de Serra ao executivo municipal. Ao explicar o fato de Marta ter deixando o Senado Federal para assumir o Ministério da Cultura, Haddad disse que mesmo como ministra, Marta não renunciou ao cargo e pode retomá-lo caso seu suplente não o exerça conforme o esperado.

Na tréplica, Soninha lembrou que Marta não havia concordado em entrar na campanha do petista, insinuando que a senadora só veio para São Paulo participar da campanha de Haddad quando recebeu um ministério no governo Dilma Rousseff. Além disso, a candidata do PPS citou a malfadada aliança entre o PT e o PP, de Paulo Maluf, afirmando que o PT defende essas condutas dizendo "isso é normal, todo mundo faz".

Neste momento, Haddad respondeu de forma incisiva: "Você (Soninha) deveria respeitar um pouco mais a prefeita. Você imaginar que ela segue ordens de chefe de partido é um descaso com sua própria biografia (de Marta)". "Marta Suplicy não é uma mulher que recebe ordens", cravou.

Mais Marta

No desenrolar do debate, Haddad foi novamente questionado sobre o fato de Marta ter assumido o Ministério da Cultura praticamente ao mesmo tempo em que começou a participar de sua campanha, dessa vez por José Serra. A discussão começou quando Haddad se dirigiu a Serra dizendo que o tucano afirmou que a presidente Dilma Rousseff "não deveria ter metido o bico" em São Paulo.

Serra respondeu que a expressão é "comumente utilizada" e não tem conotação de agressividade. "A presidente Dilma e o Lula têm todo o direito de manifestar seu apoio. O que eu disse é que fazer mudança de Ministério, demitir a ministra da Cultura, convidar a Marta para assumir o Ministério da Cultura, em troca de apoiar sua candidatura. E isso não sou eu que estou dizendo, toda a imprensa, todos os comentaristas disseram a mesma coisa", disse, e completou: "Isso é usar o governo como propriedade privada". O tucano afirmou ainda que Marta não apoiava a candidatura de Haddad e não foi candidata porque o Lula "não deixou".

O petista contestou Serra dizendo que a declaração sobre Dilma foi feita antes da nomeação de Marta ao Ministério da Cultura. Haddad retrucou também dizendo que não cabe a Serra "questionar quem a presidenta coloca para compor sua equipe", porque ela tem 80% de aprovação e o tucano defende um partido com 80% de reprovação. O petista disse ainda que Serra estava sendo "extremamente deselegante" e que o tucano era deselegante inclusive com pessoas de seu próprio partido.

Serra respondeu a Haddad afirmando que a imprensa o questionou sobre o que pensava do apoio Dilma e Lula a Haddad e ele se manifestou. "Estou plenamente no meu direito de fazê-lo". Além disso, sobre rejeição à atual gestão, Serra citou que Gilberto Kassab foi procurado pelo PT para compor apoio à chapa de Haddad.

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