Haddad convoca notáveis para criar programa de governo

O ex-ministro da Educação Fernando Haddad (PT) pretende contar com um time de notáveis de fora do PT para montar o programa de governo que vai apresentar aos eleitores paulistanos. Segundo um interlocutor do pré-candidato, já manifestaram disposição nesse sentido o neurocientista Miguel Nicolelis, o ex-ministro da Saúde Adib Jatene e o economista Marcelo Néri.

FERNANDO GALLO, Agência Estado

09 de fevereiro de 2012 | 10h03

Haddad disse publicamente que, além das contribuições dos núcleos setoriais petistas, pretende contar com colaboradores externos - em alguns casos, informalmente -, mas tem guardado sigilo dos nomes.

Jatene, por exemplo, mostrou-se arredio quando questionado sobre sua colaboração. "Nunca me manifesto em campanha política", afirmou. "Meu partido é o da saúde, não é PT, PSDB." Ele, no entanto, não negou que vá participar da elaboração do programa de Haddad. "No que puder colaborar, eu colaboro. Sempre colaborei com todos."

O ex-ministro referendou a versão de um petista de que se aproximou de Haddad quando assessorou a Secretaria de Ensino Superior do Ministério da Educação (MEC) na avaliação e reformulação de cursos de medicina. "Até 1996, tínhamos 82 faculdades de medicina. Em 2008, estávamos com 180. Ajudamos na reformulação. Ele (Haddad) manteve uma atitude muito correta nesse campo", elogiou Jatene.

Eleitor declarado da então candidata Dilma Rousseff em 2010, Miguel Nicolelis deve ajudar a campanha de Haddad nas áreas de inovação, ciência e tecnologia, temas raramente tratados em eleições. O cientista já havia colaborado com o ex-ministro ao apresentar projetos educacionais ao MEC e esteve em 2007 no lançamento do Plano Nacional de Desenvolvimento da Educação, no governo Lula. Na ocasião, Haddad assinou um decreto que previa a liberação de R$ 42 milhões para o Instituto Internacional de Neurociências de Natal, fundado pelo pesquisador.

Defesa

Renomado na comunidade científica internacional e um dos principais críticos da área no País, Nicolelis preside a Comissão do Futuro, órgão consultivo criado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia em 2011 para discutir os rumos do setor a longo prazo. Em novembro de 2010, quando Haddad e o MEC enfrentavam problemas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pelo segundo ano consecutivo, Nicolelis também defendeu publicamente o então ministro. Procurado para comentar sua participação na campanha de Haddad, o cientista não retornou as ligações.

Já o economista Marcelo Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais (CPS), da Fundação Getúlio Vargas, deve colaborar com a campanha do PT elaborando propostas para o enfrentamento da pobreza e da desigualdade de renda e para a descentralização dos investimentos na cidade.

Ele organizou seminários sobre metas educacionais com a participação de Haddad e é um dos principais analistas sobre as políticas de distribuição de renda do governo federal. A reportagem deixou recados no celular de Neri, mas não obteve retorno. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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