Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

Haddad cobra pedido de desculpas para caminhoneiro com catarata

Instituto da Prefeitura constatou que José Machado sofre de catarata, além de problema previamente diagnosticado

Bruno Lupion, de O Estado de S. Paulo

13 de setembro de 2012 | 17h03

O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, voltou a cobrar nesta quinta-feira, 13, de seu adversário tucano, José Serra, e do prefeito Gilberto Kassab (PSD) um pedido de desculpas ao caminhoneiro José Machado.

Machado se tornou o epicentro de uma disputa política após dizer, em um programa eleitoral petista, que aguardava na fila há dois anos por uma cirurgia de catarata. Para contradizê-lo, no dia seguinte a secretaria municipal de Saúde vazou trechos de seu prontuário médico que não indicavam esse diagnóstico. Nesta quarta-feira, 12, o Estado divulgou que o Instituto Cema, conveniado à Prefeitura, constatou que Machado sofre de catarata.

"Espero, no mínimo, que se peça desculpas, constate o erro e dê o tratamento que esse cidadão merece. A Prefeitura mobilizou a máquina, quebrou o sigilo médico e caluniou um usuário do SUS. Para poucas semanas depois, a mesma Prefeitura reconhecer que ele tinha a enfermidade que dizia ter. Foi (uma conduta) sem limites morais e éticos", afirmou.

O exemplo, segundo Haddad, ilustraria a desorganização do sistema municipal de saúde. "Não há prontuário eletrônico, ninguém sabe o que tem, e você pode estar sendo tratado por várias unidades simultaneamente, sobrecarregando o sistema". Ele atribuiu as informações desencontradas sobre o diagnóstico de Machado a uma "grande confusão" ou "má-fé" e cobrou apuração do Conselho Regional de Medicina e da Justiça Eleitoral.

Diagnóstico. No dia seguinte ao programa eleitoral de Haddad que levou ao ar a história de Machado, a secretaria municipal de Saúde divulgou trechos de seu prontuário médico para contradizê-lo, afirmando que seu problema não era catarata, mas pterígio - crescimento de tecido sobre a córnea. A divulgação dos dados sem a autorização do paciente é investigada pelo Conselho Regional de Medicina e o PT pediu apurações por parte do Ministério Público.

À época, Serra chamou o episódio de "mentiroso" e disse que "faria o mesmo" em relação à divulgação do prontuário. "Vocês (do Estado) pisaram no tomate, francamente. O PT saiu falando 'pega ladrão, pega ladrão', e vocês caíram nessa. Esse cidadão não tinha catarata", disse no dia 31 de agosto. "(A Prefeitura) já identificou, nos limites do que pode ser divulgado por conta da ética, que ele não tinha catarata", afirmou Kassab na mesma data.

Segundo laudo assinado em 4 de setembro pelo médico Pedro José Monteiro Cardoso, o caminhoneiro tem em ambos os olhos "opacidade nuclear de cristalino" e "opacidade cortical", além de pterígio. Opacidade do cristalino é o termo técnico usado para designar a catarata. O resultado do exame foi encaminhado para Machado, que autorizou, por escrito, a divulgação dos dados pela equipe de campanha do petista.

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