Haddad ataca vice de Serra e secretários de Kassab

Candidato do PT foi indagado sobre investigação de suspeita de fraude no MEC durante sua gestão

FERNANDO GALLO, Agência Estado

13 de outubro de 2012 | 18h21

SÃO PAULO - O candidato do PT à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, atacou neste sábado o vice do adversário José Serra (PSDB), Alexandre Schneider (PSD), e secretários do atual prefeito da cidade, Gilberto Kassab (PSD). O ataque ocorreu quando Haddad respondia pergunta sobre a investigação, feita pela Polícia Federal, de suspeitas de fraude em uma licitação no Inep durante sua gestão à frente do Ministério da Educação (MEC).

Haddad afirmou que, embora haja uma investigação em curso, nenhum de seus auxiliares diretos no ministério responde a processo. Segundo ele, na Prefeitura de São Paulo o caso é diferente porque, além de Schneider, que foi secretário de Educação de Kassab, o prefeito e outros secretários tem ações contra eles na Justiça.

Indagado se Serra tentava desqualificar sua gestão no MEC, Haddad respondeu: "Ele deveria desqualificar a gestão do seu vice. O seu vice está respondendo por improbidade administrativa. Não tem ninguém da minha equipe respondendo a processo. Ele está em uma situação delicada, o Serra. O prefeito está sendo processado, o secretário de Educação, que é vice dele, o secretário de Saúde, o do Meio Ambiente, o diretor do departamento de aprovações (Aprov). É uma gestão muito complicada", disse o petista, antes de um minicomício na zona Sul de São Paulo.

Questionado sobre o fato de haver secretários da gestão Marta Suplicy que respondem a processo, Haddad afirmou que responde apenas por ele. "Fiquei seis anos e meio no MEC e não tenho nenhum secretário de Educação sobre o qual paire dúvidas sobre a conduta. Tenho três presidentes de autarquia, seis secretários nacionais. Tranquilo em relação à minha conduta e à dos meus auxiliares diretos. Já no caso do Kassab e do Serra, não."

O candidato voltou a dizer que a investigação dos órgãos federais a respeito da suposta fraude tem origem em uma ação de iniciativa do próprio MEC e afirmou que a Prefeitura de São Paulo não tem "a mesma vontade de investigar e punir".

"Fizemos uma auditoria interna e mandamos para todos os órgãos de controle, inclusive a Polícia Federal. Quem deu impulso à investigação fomos nós. Tanto a investigação do Tribunal de Contas, quanto da Controladoria Geral, quanto da Polícia Federal", disse Haddad. "Não vejo o mesmo procedimento aqui em São Paulo. Não existe a menor vontade de investigar e punir. Fica todo mundo atônito e ninguém toma providencia."

Haddad criticou a administração municipal por não tomar providências em relação ao contrato com a Controlar para realização de inspeção. A relação entre as partes é alvo de investigações judiciais.

"O Ministério Público está denunciando a Controlar e não se faz nada. O próprio candidato José Serra vem dizendo que vai manter o contrato e a taxa. Nós vamos nos associar com o Ministério Público e acabar com a taxa. São posturas muito diferentes", sustentou o petista, que em seguida mirou o vice do tucano. "O próprio vice do Serra responde a um processo de improbidade administrativa. Está em julgamento, ainda não foi julgado, mas responde a processo."

O candidato afirmou que o caso de Schneider e demais secretários de Kassab é "mais avançado" do que o investigado pela PF no MEC. "Você tem pelo menos quatro pessoas respondendo a processo, não é sendo investigado. Isso pode acontecer. Tem uma suspeita, você manda investigar. No caso deles é um processo mais avançado. E certamente serão julgados porque a Justiça agora funciona".

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