Clayton de Souza/AE
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Haddad assina termo no qual promete cumprir quatro anos de mandato

Candidato petista critica Serra por ter abandonado Prefeitura dois anos após ser eleito

Daiene Cardoso, da Agência Estado

17 de outubro de 2012 | 18h37

SÃO PAULO - O candidato do PT à Prefeitura, Fernando Haddad, assinou na manhã desta quarta-feira, 17, durante entrevista à rádio CBN, um documento em que se compromete a cumprir os quatro anos de mandato, se eleito. O candidato ainda pediu para que o termo fosse registrado em cartório.

 

"Penso que a palavra da pessoa deveria bastar, mas em função desses episódios todos, de uma pessoa que não honra sua própria palavra, eu julguei por bem assinar. Não tenho nenhum problema em assumir isso publicamente", disse, após participar de plenária com sindicalistas e o ministro do Trabalho, Brizola Neto.

 

Em 2004, Serra assinou um compromisso, em que declarou que permaneceria no cargo de prefeito por quatro anos, mas em 2006 deixou a prefeitura para disputar o governo estadual. Nesta terça, 16, também em entrevista à CBN, o tucano se recusou a assinar um documento semelhante ao que foi firmado por Haddad.

 

Para o petista, ao não se comprometer, Serra estaria cometendo uma falta grave. "Não sei se a intenção dele é eleger seu vice (Alexandre Schneider) e não a si próprio. Mas o fato dele não ter se comprometido com isso, na minha opinião, é grave, à luz do passado recente de uma pessoa que descumpriu um compromisso com a cidade", afirmou.

 

Dizendo-se preparado para discutir temas ligados à ética e à moralidade, Haddad disse que é preciso debater a questão não só no aspecto nacional como também na administração municipal, uma vez que existem investigações em curso sobre supostas irregularidades no governo de Gilberto Kassab (PSD). "Acho estranho não discutir essa questão na gestão municipal. Por que fogem do debate sobre ética na gestão municipal?", provocou. "Parece que a lei não pode valer para eles, só para os adversários", comentou o petista, acusando seu adversário de ter "ética seletiva".

 

Durante o encontro com dirigentes de sete centrais sindicais (CGTB, CSB, CTB, CUT, Força Sindical, UGT e Nova Central Sindical dos Trabalhadores), Haddad criticou o tucano por evitar responder todas as perguntas de jornalistas. Na opinião do petista, por trás das questões apontadas pela imprensa há o interesse do eleitor. "Você tem que ter humildade de responder o que o eleitor perguntar, por mais inconveniente que seja a pergunta, você tem de ter coragem de enfrentar o debate. O jornalista está representando ali a curiosidade de alguém, de um eleitor, que merece respeito", disse. "Você não compreender que por trás da imprensa tem um cidadão querendo saber qual vai ser o destino de São Paulo, é desrespeitar a própria cidade", emendou.

No final do evento, Haddad foi questionado por jornalistas se achava que Serra estaria assumindo um discurso de direita na campanha municipal. "Acho que não sobrou espaço mais na direita, né? Então, acho que ele vai parar por aí", ironizou.

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