Haddad afirma que dívida com a União é 'insustentável' e pede repactuação

Prefeito cobrou ações junto ao Congresso Nacional e ao ministro da Fazenda, Guido Mantega

GUSTAVO PORTO E DAIENE CARDOSO, Agência Estado

01 de janeiro de 2013 | 18h48

O novo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou, em seu discurso de posse, que a dívida do município é "insustentável" e que, apesar do orçamento bilionário, a cidade perdeu a capacidade de investimento. "Não há condições de levar para frente sem repactuar (a dívida)", disse Haddad, cobrando ações junto ao Congresso Nacional e ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, para que essa repactuação seja estendida a Estados e municípios.

"A dívida é de 200% da arrecadação (de R$ 40 bilhões), o que compromete a capacidade de investimento. Não bastará apenas a troca do indexador da dívida, temos de buscar as parcerias necessárias com os governos federal e estadual, no âmbito das Parcerias Público-Privadas (PPPs), com empreendedores, para recuperar os investimentos", afirmou Haddad.

Falando ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), Haddad, que concorreu e venceu sua primeira eleição, pregou um pacto federativo, com a mudança de postura da própria classe política em relação a ela mesma. Ainda para o governador, Haddad afirmou: "Não posso, não devo, não farei e não recusarei um único centavo do governo do Estado, do governo federal que é de direito do cidadão paulistano, independentemente de partido." E continuou: "Quero dar as mãos ao senhor para trazer os benefícios que o povo de São Paulo tanto merece e anseia".

Antes do discurso de pouco mais de 20 minutos, ainda na transmissão de cargo, Haddad recusou a caneta oferecida por Kassab e preferiu utilizar a sua própria. Apesar de citar a dívida da cidade, no pronunciamento, Haddad elegeu como prioridade o enfrentamento da miséria extrema.

"Não é possível viver com tanta desigualdade, mazelas, com crianças brincando em esgoto à céu aberto e trabalhadores desamparados. Existe ainda muita miséria na cidade de São Paulo", afirmou o prefeito, que pediu uma "busca ativa" para identificar as pessoas que precisam de ajuda. "O programa federal Brasil sem Miséria pode dar o primeiro resultado pleno aqui. Temos de perseverar nesse caminho", completou.

Haddad citou ainda a necessidade de um amplo programa habitacional aliado à ações ambientais, de mobilidade e, novamente, com parceria entre os governos municipal, federal e estadual. E pediu uma ampla reforma para repensar o desenvolvimento da cidade, pedindo o apoio da Câmara Municipal, nas alterações necessárias do Plano Diretor. "O maior legado da Câmara é o conjunto de normas que apontem a visão de longo prazo, pois a maneira como a cidade se desenvolveu nos últimos 80 anos está ultrapassada", concluiu.

Dentre os presentes na transmissão de cargo de Kassab para Haddad estavam o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o presidente nacional do PT, Rui Falcão. A principal ausência foi a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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