Haddad admite disputar Prefeitura

Ministro da Educação diz pela primeira vez que seu nome foi colocado ao PT na condição de pré-candidato a prefeito de São Paulo

Lisandra Paraguassu e Rui Nogueira / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2011 | 23h00

O ministro da Educação, Fernando Haddad, admitiu em entrevista ao Estado, sexta-feira passada, que seu nome, com sua autorização, "está efetivamente sendo discutido" no PT como um dos possíveis candidatos do partido à Prefeitura de São Paulo, nas eleições municipais do ano que vem.

 

"Eu tenho apreço por esse movimento", disse o ministro. E justificou: "(O movimento em favor do nome dele para a disputa da Prefeitura) é em função de uma realização pessoal, por ter feito um trabalho no MEC que ganhou alguma visibilidade. Não deixa de ser para mim e para a minha equipe um sinal de que o Brasil tem avançado na área social, tem de avançar mais, mas não deixa de ser um reconhecimento".

 

Sempre tratando o assunto com ressalvas e cuidado político para não desmerecer outros possíveis pré-candidatos do partido, Haddad diz que seu nome está longe de ser consenso. "Existe o debate dentro do PT sobre essa questão, mas, na verdade, é a posição de uma parcela que é minoritária dentro do partido", disse. "Então, se eu considerar isso agora estarei cometendo dois erros: primeiro, com o ministério. Segundo, de natureza política, de não reconhecer que quem cogita essa possibilidade com algum entusiasmo é uma parcela minoritária do partido".

 

Em um partido dominado em São Paulo pela senadora e ex-prefeita Marta Suplicy, o ministro Haddad reconhece até que há uma enorme resistência a seu nome. "Se fosse uma pretensão pessoal, isso me afetaria. Mas não é uma pretensão pessoal. É uma discussão que está sendo feita com um colegiado de pessoas. É natural que seja assim. Simpatias por um ou outro. Mas não é um projeto pessoal", explicou.

 

Haddad fez questão de citar os nomes de Marta e do seu colega de ministério Aluizio Mercadante (Ciência e Tecnologia) como petistas que podem reivindicar, segundo ele, até com mais direito, a posição de candidatos à Prefeitura de São Paulo em 2012.

 

"Considero que há figuras no partido que estão mais bem posicionadas e têm todo direito de pleitear a candidatura e disputar", afirmou. "Eu entendo isso, que pessoas que possuem uma história de militância dentro do partido e teriam legitimidade de fazer a disputa comparando gestões, como seria o caso da Marta, ou se recolocando, como seria o caso do Aluizio. Enfim, pessoas que têm mais história no PT."

 

O ministro da Educação tem um padrinho de peso: o maior defensor da sua candidatura, e, na verdade, autor da ideia, é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem feito apelos por "nomes novos" para tentar vencer o PSDB e Gilberto Kassab, o atual prefeito da capital.

 

O ministro sabe que a disputa é dura. A senadora Marta Suplicy, que já declarou querer uma revanche contra o tucano José Serra, tem grande incidência sobre o PT paulistano.

 

Para emplacar Haddad, Lula terá que impor o nome do ministro, sob o risco de provocar um racha na campanha petista.

 

Diante desse cenário, a situação de Haddad pode ser descrita assim: não milita em favor da candidatura porque tem uma agenda cheia no MEC, mas também não desautoriza as articulações. O resumo dele para o momento é este: "Sem que eu esteja militando por isso, o nome está efetivamente sendo discutido."

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