''Há uma luta clara e aberta de poder''

Tião Viana: candidato do PT à presidência do Senado; Senador aponta ação de ?forças políticas? interessadas em expandir poder para além das fronteiras do Legislativo

Entrevista com

Rosa Costa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

21 de janeiro de 2009 | 00h00

O senador Tião Viana (PT-AC) aponta no grupo que apoia a candidatura do senador José Sarney (PMDB-AP) à presidência do Senado "forças políticas" interessadas em expandir poder para além das fronteiras do Legislativo. "Então, esse grupo usa todas as forças", afirma o petista, que já foi vice-presidente da Casa e ocupou interinamente a presidência durante a crise que levou ao afastamento e depois à renúncia de Renan Calheiros (PMDB-AL). Segundo Viana, o ideal seria ter a disputa entre os interessados em fortalecer o Congresso, como afirma ser seu caso. Viana considera natural o fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se engajar em sua candidatura e, dessa forma, "respeitar" a decisão dos senadores. O senhor foi ''rifado'' pelo presidente Lula?Pelo contrário, continuo muito otimista e esperançoso no processo eleitoral. O presidente Lula nada mais fez do que respeitar as duas candidaturas de dois candidatos da base aliada. Minha candidatura surgiu dentro do Congresso e hoje tem o apoio do PDT, do PSB, do PR, do PRB, do PSOL e do PT. A disputa tem de ser travada na fronteira do Poder Legislativo, o compromisso das candidaturas têm de ser com o Legislativo. O presidente respeitou o Poder Legislativo, quando disse ao senador Sarney que ficaria distante do processo.Mas o presidente não poderia ter se engajado antes em sua candidatura? Afinal, somente na segunda-feira o senador Sarney comunicou a Lula a intenção de disputar a presidência do Senado. Aqui no Senado sabemos como estão as forças políticas que estão atuando neste processo sucessório. Há uma luta clara e aberta de poder, há um grupo político que não imagina ficar à margem desse espaço de poder que o Legislativo representa. Então, esse grupo usa todas as forças. O presidente Lula já externou publicamente a preferência pelo meu nome. Agora, diante de um contencioso em que o presidente Sarney é lançado por um grupo político, dirigido pelo senador Renan Calheiros, é natural que o presidente entenda a autonomia do Legislativo nessa hora.O que move esse grupo do PMDB comandado por Sarney e pelo novo líder do partido, Renan Calheiros? É poder que vai dar influência política. Trata-se de relações entre o governo e o Poder Legislativo e da política de desenvolvimento regional e orçamentária e do fortalecimento da instituição partidária com o olhar voltado para o ano de 2010.É mais fácil disputar o Senado contra o senador Sarney ou contra o senador Garibaldi Alves (PMDB-PB)? Sarney foi presidente da República, foi presidente do Congresso por duas vezes. Que ele é forte politicamente, é, que tem força nos partidos, tem. Agora isso não quer dizer que ganhará a eleição, a eleição está sendo disputada com forte equilíbrio e eu estou muito confiante no resultado dela. Seja o senador Sarney, ou qualquer outro, vamos ao voto. FRASE"Sarney foi presidente da República, foi presidente do Congresso por duas vezes. Que ele é forte politicamente, é, que tem força nos partidos, tem. Agora isso não quer dizer que ganhará a eleição. Seja Sarney, ou qualquer outro, vamos ao voto"

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.