Dida Sampaio / Estadão
Dida Sampaio / Estadão

‘Há um vácuo na agenda social que a Câmara deveria ocupar’, diz Tabata

Deputada foi escalada por Rodrigo Maia para elaborar propostas na área, mas não pretende buscar apoio do governo Bolsonaro

Entrevista com

Tabata Amaral, deputada do PDT-SP

Camila Turtelli e Nicolau Cavalcanti, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2019 | 04h00

BRASÍLIA – Representante da nova geração da Câmara, a deputada Tabata Amaral (PDT-SP) foi escalada pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para elaborar propostas na área social. O plano, focado em áreas como educação, trabalho e distribuição de renda, foi apresentado na terça-feira, 29, a líderes da Casa. Segundo ela, seu trabalho agora será de convencer os colegas a apoiarem as medidas. "Sensibilizamos (os líderes de bancada) de que há um vácuo, uma ausência muito grande do governo nessa área e que a Casa deveria ocupar", afirmou ela ao Estado.

Questionada se haverá apoio a medidas que aumentam os gastos públicos, como a ampliação do Bolsa Família – com um custo estimado em R$ 9,1 bilhões –, Tabata admite que será um desafio, mas não pretende buscar o apoio do governo de Jair Bolsonaro para conseguir levar seu pacote social adiante. "Esse é um papel do Maia."

Ao tratar sobre seu futuro político após romper com o PDT, a deputada afirmou ainda estar indefinido. "Cabe a mim encontrar um partido progressista que me dê liberdade para defender coisas como esse programa, baseado em evidências, para modernizar partido, estatuto."

De que forma as medidas apresentadas pela sra. se opõem às políticas adotadas até aqui pelo governo?

Elas preenchem um vácuo que foi deixado. Tudo o que o governo mandou nessa direção foi muito pontual, coisa mínima. Estamos fazendo mudanças estruturais que ninguém fez ainda. Queremos colocar o Bolsa Família na Constituição. A ideia é que seja um projeto da Câmara que entende que o Bolsa Família é importante, prioritário, tem de ser aprimorado e ir para Constituição para que não seja de direita, esquerda e nem de outro.

Quais são as falhas que a sra. vê no modelo atual do Bolsa Família?

O programa precisa ser atualizado. A linha da pobreza não mudou nos últimos anos, então, vamos colocar de acordo com parâmetros mundiais. Já provamos que nenhuma família tem mais filhos por causa do Bolsa Família, então, queremos acabar com a extinção. Para mim, é muito mais um aprimoramento.

Como esses projetos, que implicam em mais gastos à União, podem ter o apoio do governo e do Congresso, que têm uma clara preocupação econômica?

Essa é uma pergunta que vamos nos fazer todos os dias até a aprovação dos projetos. O primeiro passo foi em abril quando Maia topou o projeto e depois desse processo todo de construção, aprovou esse plano. Na terça-feira apresentamos aos líderes da Câmara e os sensibilizamos de que há um vácuo, uma ausência muito grande do governo nessa área e que a Casa deveria ocupar. Agora, se vou conseguir convencer todos os partidos, ai, eu conto muito com a liderança do presidente Maia.

A senhora pretende buscar algum apoio do governo?

Esse é um papel do Maia. Meu papel foi de coordenação, de ouvir pessoas, conectar ideias e montar um time excelente. Para seguir os próximos passos políticos vou seguir a liderança de Maia.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse que ou o Brasil adota uma agenda de reformas ou corremos o risco de um colapso social. Estas propostas são para evitar este colapso?

Com certeza. A desigualdade contribui em muito para o que está acontecendo no mundo afora, desde a Primavera Árabe – protestos sociais no mundo árabe em 2011 -  até esse ano.  Aumentamos a desigualdade empurrando a classe média para baixo. Então, termos coragem de falar de desigualdade e inclusão é uma resposta a isso também e não tem nem como fazer um contraponto à visão do governo sobre isso, porque não há uma visão do governo sobre isso.

A proposta apresentada tem como um dos eixos a proteção ao trabalhador. A reforma da Previdência, ao dificultar o acesso à aposentadoria, não vai de encontro a esta proposta?

Não. Quando falamos sobre rede de proteção ao trabalhador, nos referimos a todos os benefícios que existem hoje para quem está na ativa no mercado formal. Estamos olhando para o que existe hoje e aprimorando. Não vejo nada disso fazendo contraponto ao que existe hoje. Estamos partindo do que funciona para melhorar ou colocando onde não tem.

Qual será seu destino político? A sra. pode ir para um partido de centro ou só aceitaria siglas de esquerda ou centro-esquerda?

Ainda não tenho nenhuma definição, estou aguardando a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – ela entrou com uma ação para deixar o PDT sem perder o mandato. Eu não me considero de direita, me considero progressista. Agora, cabe a mim encontrar um partido progressista que me dê liberdade para defender coisas como esse programa, baseado em evidências, para modernizar partido, estatuto. Vou sentar e negociar com todo mundo. Vou querer saber se há espaço para se ter mais mulheres, prévias, para não termos dirigentes partidário por décadas. Mas ainda não comecei esse processo.

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